Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Open você

Posted by admin On July - 7 - 2010

Onde, nesse exato momento, você colocaria Deus? Diante de toda complexidade que ficou o dia, de toda bagunça que virou sua gaveta, qual cômodo de você mesmo, você ofereceria a ele? Alguma coisa real? Alguma sinceridade ou coisa nobre que você tenha aí guardado? Alguma inocência? Algum juízo, alegria, esperança ou coisa limpa? Onde você  encaixaria Deus nesse exato momento em sua vida? Nas suas palavras certas? Nas sua busca por aprovações, nas suas lembranças? Na sua paciência, humildade, vazio? Como você atrairia sua atenção, seu olhar?

Não é horrível não saber o que oferecer? Não é pior ainda quando isso pouco importa? Falando sério: você não acha realmente estranho quando você perde o interesse por Deus e depois de tudo que já viveu com Ele não ser capaz de prestar atenção no que ele faz ou quer fazer? Não é ruim ainda ter olhos para ver Deus, mas ter o desejo de arrancar seus olhos fora porque cansou  de olhar para um Deus desinteressante que não é mais como você pensava ou esperava? Não é decepcionante chegar a conclusão de que você está magoado com o salvador da sua alma? É um pensamento que incomoda, mas talvez isso esteja enchendo a sua cabeça há algum tempo: Afinal, o que aconteceu com Deus? Ele mudou?

Se o texto acabasse na frase de cima, grande parte das pessoas que estão lendo isso aqui fecharia a janela e twittaria revoltada dizendo que o @umpontoum surtou. Claro, nós não vamos terminar esse texto aqui, porque assim como você, nós achamos um absurdo esse pensamento. Então a notícia boa, que vai frustrar toda complexidade que tá matando suas horas e toda matemática ilógica que rola no seu espírito agora, é essa aqui:

Você não gostaria de um texto dizendo que Ele mudou porque você sabe, no fundo do seu espírito abandonado e bagunçado, que apesar de tudo Ele não mudou. Por mais que você tenha passado por algumas mudanças, por mais que você tenha acordado em outra cama, por mais que você tenha feito besteira com o seu dinheiro, com o seu corpo, com a sua alma, por mais que tenha traído, debochado, dito o que não é, feito o que não aprova e deixado passar algumas oportunidades. Por mais que a sua vida tenha ido para o ralo, por mais que o sonho tenha quebrado e os caquinhos estejam todos dentro da sua pele, a idéia de que Ele mudou e o pretexto de que isso pode fazer bem à sua consciência simplesmente não colam.

Ele não mudou. Ele não mudou. Ele continua aquele que te conquistou. Até que ponto isso precisa ser repetido para que você se sinta seguro o bastante para mudar seus conceitos?

O Deus dos fracassados jamais perdeu uma. O Deus que não aprova imagens feitas por mãos humanas resolveu Ele mesmo ter mãos humanas e andar no meio dos pedintes. O Deus imaculado nunca atraiu tantos pecadores, doentes e sujos. O Deus da vida nunca chocou tanto com sua morte. O Deus que morreu nunca chocou tanto com sua vida. O Deus da graça nunca desesperou tanto as pessoas como quando foi para aquele madeiro. O Deus da fartura pediu água e deram vinagre. O Deus do plano perfeito abriu excessões, convidou ladrões, olhou nos olhos de uma mulher para quem não dirigiam a palavra.

Você não acha que Deus tem características muito mais loucas (e sim, estranhas), do que a sua idéia humana e medíocre de que ele possa ter mudado, deixado de ser o que é, pensado melhor na situação toda e chegado a conclusão de que faria diferente com você porque você nunca mais foi o mesmo com Ele? Você acha que isso faz sentido? Você acha que essa é a justificativa perfeita que convencer-se de que Deus não vale mais a pena?

Que tal começar do zero?

A primeira coisa que você precisa saber, é que ele É. Concorde ou descorde. Ele é um Deus justo, mas pode se derreter ao ouvir a sua voz clamando. Ele chora com você e essa não poderia deixar de ser o maior consolo que existe. Um pecador ter em Deus um aliado, e ter nesse mesmo Deus a correção dos erros quase impossíveis de serem reparados. Deus é isso. Desista de buscar coleiras para Ele. Ele não deve explicações, não porque é um senhor ranzinza cansado de levar o mundo nas costas sozinho, mas porque os conceitos, palavras, explicações e teorias simplesmente não servem para Ele. Não encaixa, não traduz.

Deus não é bipolar. Ele simplesmente não cabe na caixinha onde você estava tentando guardá-lo. Esqueça os padrões, eles roubam demais a sua inteligência. Esqueça a história cronológica da sua vida religiosa. Aliás, esqueça os fatos religiosos. Aprenda a valorizar o que é importante: sua alma ainda se sente salva? Você ainda lembra o que é ser feliz por isso?

Tentar mudar as atitudes de Deus não muda e nem melhora a sua vida. Deus não é o que você quer que Ele seja, e mais uma vez, isso não acontece porque Ele é um imbecil egoísta, mas é porque assim como você, Ele sabe que nem sempre os planos que você faz são os melhores planos, não é mesmo?

Acredite numa coisa: Deus pode frustrar você por alguns minutos, você até pode pensar isso. Mas se você entender que o amor dele é eternamente maior do que os seus pensamentos, seus minutos de aflição e suas conclusões, então você vai experimentar o que é ter gavetas bagunçadas e apesar disso ter um Deus que entra no seu quarto sem cerimônias. Ele não mudou. Seja o exemplo disso.

Se você estava frustrado, magoado, doido com Deus, que hoje você quebre o padrão do sentimento e da razão, e faça a coisa mais simples e ao mesmo tempo a mais inconsequente que existe: peça perdão.

De um lado nossos corações confusos, do outro lado o próprio Deus ouvindo nossas vozes. E se Ele fosse outro deus garanto pra você que ele jamais nos perdoaria. Mudaria de idéia ao ver nossa pequenês, não seria tão grande ao ponto de ver grandeza aí.

Deus não mudou. E essa, meu amigo, é a causa de não sermos consumidos nem agora, nem amanhã.

Luciana Elaiuy

Não é sobre o Hexa.

Posted by admin On June - 18 - 2010

Esse não é um post sobre a copa do mundo, o possível ou o impossível hexa, nem sobre os planos das suas férias de julho. :)

Na verdade estou escrevendo para falar do bar. O umpontoum agora vai ser num bar! E o que tem de mais e de diferente em fazer o um no bar? Bom, você vê os jogos da copa num bar, certo? Você entra num bar pra trocar idéia, pra trocar dinheiro, pra encontrar alguém..

Eu tô escrevendo com uma xícara de café do lado, porque devo confessar que isso é um certo vício. O café me pega e faz com que isso vire uma rotinazinha. E o que o bar tem a ver com isso? Bom, você pode tomar uma vodka ou um café, você pode, num bar, ter momentos legais, quando o bar é legal e aconchegante.

E a gente ficou pensando o que Deus tem a ver com tudo isso. Bom, você troca tragos e pode trocar palavras de vida, não!? Você reúne seus amigos ao redor de uma mesa, e pode reunir ao redor das idéias, outras idéias para o seu próprio bem, novidades que não estão nos jornais, significados que ainda ninguém te contou, certo?

E falar sobre Deus é falar sobre isso. Não é sobre o que está dentro do copo, mas sim sobre o que você precisa receber para que o cálice da sua vida transborde. Não é sobre a mesa, o banco, a parede, que apesar de serem incríveis e muito aconchegantes, não abrigariam um consolo sequer, se lá dentro não houvessem pessoas preocupadas em te contar toda a verdade.

Pense em Deus dessa forma. Tão rotineiro quanto um bar, tão profundo como um vício.

Se você nunca foi ao UMPONTOUM nem no hotel, nem na imarés, nem na minha casa, então acho que é o momento de acabar com as barreiras estúpidas e dar essa chance para a gente, para você, para o que você chama de acaso, mas que na minha opinião é propósito.

As reuniões da Imarés 64 vão rolar toda última sexta do mês. E no resto, às segundas, no PUB SKUANTUS em moema tbm.

(As infos estão no twitter e na imagem no post abaixo).

CHEERS!

Luciana Elaiuy

agora também no bar!

Posted by admin On June - 17 - 2010

os olhos de Deus

Posted by admin On June - 1 - 2010

O cego queria o milagre de poder ver. Mas como era cego, não viu que, antes de ter os olhos abertos, alguém já tinha os olhos nele. O cego talvez nunca tenha pensado nisso. O cego talvez nunca veja por essa ótica. O cego talvez possa ver muitas coisas agora: as montanhas, o céu, uma flor, a própria mão, o rosto de uma pessoa amada, a dor e a loucura da vida, a água, mas talvez ele realmente não enxergue isso: quando ele era cego alguém tinha os olhos atentos a ele.

O cego é você. Sou eu. De olhos bem abertos, lacrimejando informação e planos, apertando os olhos em orações com cara de impossível, estourando nossas retinas de tanta raiva, inveja, dor, humanidades, chorando de saudades, mágoas, alegrias, todos nós somos os cegos. Um olho no hoje, outro olho sabe-se onde. Nós somos assim, metade abertos, metade fechados. Metade presença de Deus, metade decisão própria. Metade paciência, metade orgulho. Metade passo, metade medo.

O que precisamos entender é que houve um momento entre nossos olhos fechados e os olhos abertos de Deus. Houve um instante meio salmo 139 “eu te vi massa informe”, quer dizer, “Eu te vi quando você não me via. Eu te conheci quando você não se conhecia, eu te gerei quando você não sabia o que seria, o que queria, o que viveria”. Entender os olhos de Deus é entender o seu olhar. Entender que o verdadeiro milagre está nos olhos dele e não no nosso. Essa é a única chama capaz de incendiar tudo. É isso que faz tudo mudar. Deus te enxergou quando você não tinha chances. Ele olhou nos seus olhos quando você não reconheceu os olhos dele. Ele esperou sem dormir, sem piscar. Ele enxergou mais na frente, mais no íntimo, com mais fé, com mais amor. Ele te assistiu.

Então você está aí agora, lendo esse texto, buscando abrir os olhos do seu entendimento, querendo ver entre essas palavras alguma que faça sentido para seus olhos cansados. Pode ser que enquanto você lê existam milhares de problemas em cima dos seus ombros, ou talvez haja apenas um problema, que na real vale por mil e tire você do sério, tire você da visão certa, e sabe, não é porque eles gritam no seu ouvido o tempo todo que você já pode dizer que já viu a cara deles. Talvez, você precise dar um passo de fé, e agir como alguém que tem olhos para ver. Olhe para os seus problemas, porque pode ser que você esteja etiquetando todos eles como a mesma porcaria de sempre, ao invés de encará-los de uma vez por todas e ver que por trás tem pano pra milagre. Os cegos só ouvem. Quem enxerga encara e distingue. Você tem essa capacidade. Você pode olhar direito? Isso não é auto ajuda nem desculpa pra vida te ensinar alguma coisa. É simplesmente uma atitude normal de quem tem olhos, encara o problema e toma uma atitude. Você não acha que está na hora de encarar de perto? Você não acha que está na hora de se levantar? Você não acha que está na hora de olhar cara a cara, como Jesus fazia?

Quantas paciências você já perdeu decretando e catalogando sua vida? “Isso é um problema inevitável, isso é sentimental e não há como eu mudar, isso sou eu e eu sou assim, isso é por causa da minha criação, isso é por causa da minha condição, isso é por causa da minha mágoa, isso é porque o mundo não é fácil..” Todas essas desculpas são pálpebras fechadas para coisas novas.São chances jogadas no chão. São remorsos antes mesmo da tentativa. Isso tudo te cega? Ok, tem alguns exemplos aqui:

Eu fico pensando naquele cego que gritava para ser curado e as pessoas soltavam o verbo, o criticavam mesmo, sem dó. Como se ter os olhos fechados o obrigasse a ter a boca fechada também. Como se enxergar fosse impossível e clamar por isso fosse proibido. Depois me lembro de Davi, se apressando para ver o gigante. Face a face com ele, mirando na testa, olhando para dentro dele mesmo de um jeito que nenhum homem ao redor poderia entender. Depois penso em Pedro. Um cara como eu e como você. Pedro no meio de mil problemas e crises espirituais, emocionais, entre a ida e a queda, a fé e a mesmice, Pedro no meio das pessoas, encarando os olhos de Jesus. E naquela hora que eles se olharam Pedro deve ter se lembrado de quando andou sobre as águas. Ele andou olhando para Jesus. Era aquele mesmo olhar que já explicava tudo.

Pedro, momentos depois de cruzar os olhos com os de Jesus, deve ter entendido que o verdadeiro milagre está no olhar e não nos olhos. E o olhar de Deus é o que faz os cegos enxergarem, as massas informes se transformarem em pessoas, os pequenos vencerem gigantes, os blogs responderem perguntas íntimas.

Você vai cruzar seu olhar com o de Deus, mais cedo ou mais tarde. Talvez ele esteja no seu ombro, atrás de um problema que você já deu por vencido mas nem olhou direito. Talvez ele esteja na sua cegueira clamando em voz alta por ajuda, talvez ele esteja bem na sua cara, acompanhando todos os seus passos mas você tá vendo coisas demais pra perceber que é simples como abrir os olhos.

A história de Pedro continua com ele passando ao lado de um paralítico que queria andar mas ao invés disso pedia dinheiro. De certa forma, era cego também. Mas Pedro já era marcado por um olhar que enxerga além, que vê por trás das falsas necessidades. Aquele paralítico não sabia o que queria, mas Pedro já tinha experimentado visto por olhos de quem enxerga por dentro. Deve ter sido por isso que diz: “E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse: Olha para nós”

Que hoje você pise certo, ande mais, não caia na cegueira de achar que é tudo a mesma coisa. E principalmente: entenda que andar com Deus é sim enxergar alguns obstáculos, mas também é ter olhos para encontrar caminho.

Se faltar visão e caminho, veja outra vez:

Os olhos podem ser curados ao cruzarem com os olhos de Deus, e o Caminho, você sabe muito bem quem é.

Luciana Elaiuy

Television is a drug

Posted by admin On May - 19 - 2010

O tempo

Posted by admin On May - 3 - 2010

O tempo que se gasta gastando tempo, o tempo que esfregamos o tempo no chão porque adoramos rastejar, o tempo que se luta em vão porque gostamos de sangue, o tempo que se chora porque sempre temos sede de alguma coisa, o tempo que mimamos nosso espírito porque na verdade ele anda fora de forma, o tempo que passamos olhando pro alto ao invés de andarmos por lá, o tempo que detalhadamente organizamos todas as áreas da nossa vida e as colocamos burocraticamente no altar porque ainda não entendemos que o que conta é estar no altar por inteiro, o tempo que gastamos como ladrões de nós mesmos e reduzimos nossa vida espiritual à cinco minutos de conversa na cruz antes da morte, o tempo que perdemos contando sementes ao invés de satisfazer a terra pronta, o tempo que mistificamos o que é real, o tempo que levamos em banho maria o que deveria ser banho de água fria, o tempo que ignoramos o sacrifício porque ainda temos medo de sofrer um milésimo disso, o tempo que buscamos na letra o Espírito e no Espírito a letra, o tempo que se gasta mudando de lá pra cá porque é arriscado demais esperar as raízes crescerem, o tempo se vai enquanto tentamos tirar poeirinhas de nós mesmos só para ocupar o tempo em que deveríamos tirar toneladas de entulho, o tempo que nos precipitamos e destruímos coisas delicadas e juramos que isso não é falta de fé, o tempo que repetimos refrões quando deveríamos repetir verdades.

Todos esses tempos eram para ser o tempo de calar. E sabe porque existe o tempo de calar? Porque alguém precisa falar.

Então o tempo que se gastou calando para as coisas de fora seria o tempo que se ganharia ouvindo os planos de um bom futuro. Seria o tempo de entender que os melhores dias estão chegando. Seria o tempo de crescer porque o que rega são lágrimas e não saliva, seria o tempo de se descobrir porque um explorador nunca revela todos os seus segredos, seria o tempo em que Deus poderia se aproximar de você, porque felizmente, e pela primeira vez, você não estaria se debatendo como se o projeto dele para a sua vida fosse uma área de apenas 30m2. Seria o tempo de nascer outra vez, e dessa vez nascer diferente porque o seu primeiro nascimento já foi cercado por muitos berros e adaptações difíceis demais. Calar seria o tempo de descobrir que o nome dele vale mais que mil palavras e que na verdade é uma delícia entender que de nada vale tentar contar isso para os outros. Algumas experiências devem ser vividas em silêncio, e enquanto você cala pro mundo você invoca outras curas, novas experiências, segredos e cumplicidades entre você e Deus. E na real não é silêncio, é o tempo da intimidade.

Seja qual for a ajuda que você precise encontrar para poder viver isso de verdade, eu sei que nunca estará em falta num reino tão completo e perfeito como esse para onde você foi transportado. Não seja estrangeiro dos tempos.

Luciana Elaiuy

Entre os planos e as rédeas.

Posted by admin On April - 19 - 2010

Não comece igual. A sexta feira é de cruz pra segunda cedo se vingar em luz. Então, não comece igual. Essa semana não! Mais uma semana, não. Esse post não é sobre superação, é sobre escolha. Não é sobre guerra, é sobre cura. Não é sobre posicionamento, é sobre vontade. Não vivemos mais num tempo ignorante onde ninguém tinha acesso a nada, não saberia fazer nada com a vida.
Nós vivemos no tempo do “quem quiser fazer, consegue”. É assim com a reciclagem do seu lixo e a conduta sustentável, é assim com um blog que começa com uma linha, é assim com bandas independentes recem-saídas de garagens, é assim com uma besteira que explode no youtube, por que não seria assim com o seu espírito e as questões da sua alma?

As pessoas já devem falar demais para você o que você deve ou não fazer. Elas não sabem nada sobre você. Mas você já reparou como isso não muda nada? Ainda que não te conheçam você não se descobre por causa disso! Não faz com que você saiba exatamente quem você é. As certezas não dependem das coisas externas. Nunca.
É simples assim: Diagnósticos não curam e você precisa entender de uma vez por todas que quem decide pra onde levar a sua vida é você mesmo! Isso é um presente que você ganhou quando nasceu. Quem deu foi Deus, aceitando ou não, ele importou-se em não se meter nas escolhas que são suas.

Então o cenário é esse. Mas o que acontece quando você está no momento crucial da sua vida, entre o saber e o fazer, entre a informação e a verdade, entre os planos e as rédeas?

A resposta é aqui, ó:

Não confunda coração quebrantado com coração quebrado. A quebra é ferida, o quebrantamento é cura. Então você pode entender agora porque resmungou as mesmas dores pro céu e nada mudou, certo? Um coração quebrado tem os mesmos sintomas de um coração quebrantado. Você chora, você se emociona, você se abre.

Mas..

O coração quebrantado ainda é aquele que se arrisca. O coração quebrantado não chora pra dentro, ele chora pra cima. Enquanto isso, o coração quebrado chora pra dentro, se corrói por dentro, encrava, inflama, encana. O coração quebrado desabafa na certeza de que não foi ouvido. O coração quebrantado fala justamente porque foi atraído por uma voz. Ele sabe que está em pedaços, mas está no lugar certo.

E qual é o lugar certo para um coração, afinal?

Nem sempre é dentro de você. Só dentro de você, não. Quando falarem o que te fere, quando tentarem te tirar do sério, quando o espelho disser o que você não gosta, quando você tiver faltas, choros, ataques, stress, solidão, desejos, maldades e crimes dentro de você, ele precisa estar em outro lugar. Você precisa ter onde esconder o seu coração. Se você esconder ele dentro de você, ele se quebra por não ter pra onde fugir. Ele implode. Mas se você esconder num lugar seguro tipo em cima de um monte, debaixo de uma asa, no altar, no escondeirijo do mais alto, debaixo de uma palavra, dentro de um verso, na repetição perfeita de uma música que suba como um incenso, então, daí, ele se quebrantará em outros milhares de pedaços excelêntes, inspiradores, lindos e sinceros.

Há quem ache que é poesia vaga. Há quem ache que é poeira de vida!
Quebrantar-se é a nova cura.

Hoje é segunda feira. Não comece quebrado outra vez. O esconderijo é mais em cima.

Luciana Elaiuy

Devaneios na Av. Brasil

Posted by admin On April - 7 - 2010

Uma vez li aquela história bíblica, da mulher que tinha uma hemorragia e no meio da multidão disse que se ao menos tocasse na roupa de Jesus Cristo, então seria curada. Bonita a história. Deve estar empoeirada nos cantos das escolas de freira, nas manhã chatas de escolas dominicais, na lembrança de alguém que um dia leu a bíblia.

Daí eu penso: talvez nós estejamos lendo mais o Cristo do que o Jesus.
Afinal, essas metáforas e histórias e coisas incríveis que lemos, concordamos ou não, não podem servir para uma época só, você não acha?
O que tem esvaído de você? O que te sangra? Que cor tem sua hemorragia? Qual é o seu desespero, que só pelo fato de você pensar “se ao menos tocar numa coisa mais pura que eu”, já te tráz alívio? Que sangue você tem perdido enquanto todo mundo tenta atrapalhar a sua visão de que Deus pode estar por perto?

Tá escrito lá: a multidão o apertava.

E entre nós, a multidão curte apertar Deus, certo? Você mal precisa pensar em Deus e PÁ! Lá está Ele, sorrindo, braços abertos, compreendendo tudo o que se passa! Você está parado no trânsito da Av. Brasil, com mil questões na sua cabeça, questões impossíveis de serem solucionadas, e na sua frente tem um carro com um adesivo escrito “Deus é Fiel”. É o oposto do que você está vivendo! É o oposto do nervoso daquele trânsito, é o oposto da sujeira do vidro onde o adesivo está colado! É duro entender a dinâmica disso, administrar um Deus interior, um Deus exterior.. Porque todo esse aperto externo pode te levar a uma impaciência interna e você pode pensar que Deus é mais deles do que seu.

É mentira.

Entender mais o Jesus do que o Cristo, é compreender que o divino e o humano podem viver numa boa. Jesus significa “o que salva”, e isso já pontua muito bem, que independente de qualquer coisa, a multidão que o aperta, não define quem ele é. O que ele faz é o que define. Foi assim naquele tempo da mulher com a hemorragia. É assim no nosso tempo, onde tudo pulsa desperdício e perda.

O Cristo segue antigo na história da bíblia. O Jesus segue atual na sua leve sensação de que ele pode ser mais presente e fiel do que um adesivo no Uno da frente. Então que hoje, apesar desse texto difícil, alguma coisa se esclareça na sua cabeça: Deus é mais perto do que longe. É mais óbvio do que adesivos e multidões. Tem mais a ver com a sua dor do que com as breguices que distraem o foco que todo mundo têm, de ao menos tocá-lo.

Luciana Elaiuy

La Vida.

Posted by admin On March - 29 - 2010

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Então você verá poesia em tudo. Sim, em tudo. E eles dirão que você é um idiota, e que já não há solução para você. Vão colocar em você alguns nomes que não farão a menor diferença, porque agora você sabe o que você é. Ou melhor, agora você sabem quem é, e o segredo mais secreto de todas as almas você tem dentro da sua: você sabe pra onde você vai.

Eles vão dizer que você perdeu, você dirá que tudo começou agora.
Eles vão dizer que os seus olhos não podem se fechar porque a experiência é interna. Você não dirá nada porque a experiência é interna e já não há espaço para outra coisa, além da coisa que transborda dentro de você.
Eles dirão que o sim é a maior burrice nos dias de hoje. Você dirá sim tantas vezes até sua mente se renovar, até as estacas do seu entendimento se alargarem ao ponto de você não ver limites.
Eles dirão algumas outras besteiras, você responderá algumas outras verdades. Vai ter gente que vai desejar, vai ter gente que vai zombar, vai ter gente que vai querer te matar, você vai achar isso pode até ser um lucro.

Então o pior pesadelo dos seus inimigos acontecerá: você escreverá com dedos rápidos os conselhos que seus amigos nunca acharam que poderiam receber. Sim, você terá palavras vivas dentro de você.
Você entenderá as músicas de uma banda britânica com uma profundidade estranha, e quando não entender, interpretará segundo as verdade que fazem sentido para você. Daí, não estranhe se você cantar mais alto que todos, aliás, você já deve se acostumar com essa situação. Profetas e poetas, sempre cantam mais alto. É quase como uma alegria superior que só se sabe por quem a tem.

E é por isso que você, estranha e deliciosamente, não irá parar. Apesar da dor, apesar da traição, apesar do medo, apesar da falta. Apesar de você, apesar dos outros, apesar das bocas devoradoras de esperança, apesar dos túmulos, pedras e pregos.

E saberá que esse é o tipo de presença que não te obriga a dar satisfação porque agora já tem os frutos que falam mais do que as palavras. É o tipo de presença que faz você repensar esse lance do que é realmente uma coisa limpa, simples, real e por que não dizer santa?

E eis que estará com você todos os dias.

@umpontoum

(foto da @gabiserio, querida! e special thanks pra @thatab, que salvou esse post dos inconvenientes do wp!)

Interferência

Posted by admin On March - 26 - 2010

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Você tem um pecado? Eu tenho uma porção deles.
Talvez por isso temos buscado mais a fundo, temos flexionado mais os joelhos frouxos no chão. Em reverência, em espera, em devoção, em obediência, em medo, em decisão. Talvez por isso o mesmo refrão que antes era batido, tem caído carinhosamente dentro dos nossos espíritos como consolo e esconderijo, e isso tudo de repente esteja fazendo todo sentido.

O pecado nos separa de Deus. Não foi o papa quem me contou. Não foi a minha mãe, não foi a religião, muito menos a igreja. O pecado me separa de Deus e quem me contou não foi a minha noção de bem ou mal, não foi minha consciência pesada, não foi minha moral melecada de iniquidades. O pecado me separa de Deus e ninguém precisou me falar. A prova da separação aconteceu quando eu simplesmente parei de ouvir. Parei de ouvir Deus.

Mas se o pecado me separa de Deus, como é que de repente ele tem feito eu pensar tanto na minha vida espiritual? Como o pecado consegue fazer isso em nossos corações? Ligar o alarme interno que diz “olha, você não está bem, não está dando certo e você não percebeu?” e agir dentro de mim quase como um termômetro? Como o pecado, que veio pra me roubar, consegue me conscientizar de que eu estou sendo assaltado agora mesmo? O pecado explica? O pecado avisa? Não e não!

E aí vai:

Ladrões não avisam que vão roubar, assassinos não tentam deixar pistas e os seus inimigos não se importam com a sua condição. É por isso que a sua leve consciência de que alguma coisa anda muito errada, é o próprio escape batendo na porta, educadamente, diferente do ladrão! É por isso que aquele “oh sh*t” que rola quando você se olha no espelho é um post-it de que você tem uma alma, ela precisa de redenção, você tem um espírito, ele precisa de vida, você tem um corpo, ele precisa de uma experiência nova.

Deus não acusa, não expõe. Deus avisa. Deus não joga na sua cara, ele só não te faz de trouxa. Pode parecer um joguinho difícil entre consciência e entrega, mas quando você entende que essa sensação pode se transformar em salvação e não em acusação, você finalmente experimenta o perdão.

O perdão de Deus é como aquela música que você sabia de cor, mas depois de um tempo esqueceu. É bom reencontrá-la no rádio, é realizador ver que você ainda sabe a letra, é ainda mais incrível quando, ao ouví-la mais uma vez, tudo parece perfeitamente lindo. Cada arranjo, cada frase, cada variação de tom. Que bom que essa música ainda existe, que bom que você se lembrou. Que bom que vez ou outra ela fica na sua cabeça e faz com que você não ouça tantas besteiras e outras mentiras que gritam na sua orelha, na tentativa de calar a sua voz.

Não tenha medo de desafinar. Tenha medo de não querer cantar.
Os dias são curtos demais para músicas ruins.

Luciana Elaiuy

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