Sheepsalm

Posted by umpontoum On May - 3 - 20126 COMMENTS

Esse post é um pouco diferente dos outros. Na verdade, é um email que escrevi para um querido amigo que está passando por dias complicados. Escrevi na vontade de dar um pedaço da minha alma pra ele, você já sentiu isso? Vontade de querer oferecer mais do que uma oração? Mais do que um versículo? Pois é. Escrevi, mandei, ele leu e concordamos em espalhar isso por aí. Afinal. isso é sobre inspirar pessoas.

Pra não expor nomes e fatos, aqui não tem nomes ou fatos. Tem o conteúdo que pode salvar seu dia, ou a sua alma. É para todos, porque todos nós temos dias complicados.

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Olá,

Aquele dia falamos sobre como é estar com Jesus. Que na época dele (e também na nossa), a maior experiência que ele proporcionava era o fato de que todos saíam amados, com a profunda noção de que estiveram com o amor em pessoa. Bem, temos visto dias loucos, mas o meu desejo é que independente do que aconteça, você não perca o calor do encontro que um dia teve com ele. Ele é o amor, e continuará sendo.

Comecei a pensar nas coisas. E orei por você. Daí escrevi essas palavras. Queria te falar todas elas. Então leia como uma forma de oração. Escrevi em primeira pessoa porque queria te passar experiências que já tive com Deus. Mas no final falei diretamente pra você. Porque é o que eu desejo que você tenha: comunhão com Jesus.

Nos dias aflitos, obrigo minha alma a passar por um pasto verdejante. Grito para minha existência que esse salmo foi escrito para os aflitos. Foi escrito pra mim. Grito para o meu coração descrente que Deus continuará existindo independente da minha dor. Ele continuará absoluto, perfeito, uma fonte inesgotável de tudo o que todos os seres humanos precisam. Tamanha grandeza me assusta, quase me desrespeita, mas de certa forma, me intriga. Deus permanecerá eternamente sendo o que é, independente do que os Homens façam e saber isso me inquieta. Não posso ser mais um Homem alheio à Deus. Não posso. Preciso dele aqui e agora, ainda que eu não esteja com a minha melhor cara, no meu melhor dia, na minha melhor semana. Preciso de Deus porque nos últimos dias ele tem sido meu sustento, ainda que eu não saiba. Preciso dele porque no minuto em que achar que não preciso, não serei capaz de respirar fundo. Preciso dele para me ajudar, me consolar, me falar as palavras que ainda não sei. Preciso dele no meio dessa sujeira. Os verdadeiros amigos não andam ao nosso lado só nos caminhos bonitos. Os melhores amigos conversam com a gente na madrugada. Grito para meus nervos que sou amiga de Deus, e que ele é meu amigo. E me cerco de sentimentos, canções e informações que possam me lembrar disso a cada momento. Minha vida está em suas mãos porque eu ainda estou vivo. Isso justifica tudo. Ele não me salvou em vão, não me atraiu com amor, em vão, não morreu por mim em vão. Não manda o sol, o fôlego e o alimento para mim, em vão. Motivo deve ter. É um motivo mais sério que a dor. Deus me sustenta com uma disciplina chinesa. Nasce o sol, desce a chuva, plantas crescem, é seu amor sussurrando pelos dias, que eu não estou só. Eu sinceramente não vejo como meu coração estraçalhado pode estar nas mãos de Deus. Me chega a faltar voz o fato de um Deus de amor assistir à tortura que têm sido meus dias, mas por algum motivo, não consigo separar minha existência de sua existência. Deus morreria em meu lugar, pra depois não pensar mais em mim? Que mérito teria esse ato? Se foi por amor, então Deus pensa em mim a cada segundo, e me assiste e me sonda e me conhece e me mantém. Não entendo seu amor em meio à dor, mas entendo que a dor foi o caminho que ele mesmo escolheu para se aproximar de mim. Esta minha dor, menor que a dor dele, precisa se curvar diante dessa verdade. Posso estar sofrendo, mas a verdade me diz que o amor resiste e existe em meio à dor, e a ressurreição habita sempre no final. Eu preciso dessa ressurreição. Em tudo. Se as outras pessoas não precisam ou não querem, eu vou. Vou com o coração estilhaçado e enquanto vou em direção a presença de Deus me sinto estranhamente completa. Aparentemente nada mudou, mas ir me faz lembrar do que vim fazer no mundo. Eu vim ao mundo para ir à presença de Deus enquanto os dias acontecem. Eu vou. Sob o conforto estranho de que o que Deus espera de mim, é isso. O filho procura o pai. O servo procura o senhor. A criatura quer saber quem é seu criador. A ovelha ouve a voz do pastor. Isso me conforta. As coisas estão desorganizadas, mas eu estou cumprindo minha função básica enquanto ser humano: eu estou me dirigindo ao senhor dos senhores, eu estou com o olhar atento ao que ele quer de mim, e as outras vozes são só barulhinhos que querem me distrair e atrapalhar a minha vocação de ser uma pessoa que busca a Deus e o conhece no dia da angústia. Isso é fé. Não é a minha razão me confortando. Não são meus planos falidos. Não é nada disso. É fé. Uma porção que Deus dá aos homens, mas poucos sabem estender a mão para receber. Fé em vida. Fé em palavras. Fé no sangue que foi derramado. Fé no perdão. Fé de que nada vai me separar do amor de Deus, nem altura, nem profundidade, nem as coisas do presente, nem as coisas que virão. A fé não está procurando razões pra se apoiar. A fé não está fazendo promessas mentirosas. Ela está me mantendo segura quanto à mim mesma. Quanto à minha vida em relação a Deus. Ela está viva dentro de mim, mais forte do que eu, mais sábia do que eu, e quando eu começo a me sentir inútil, justamente por precisar tanto dela, eu descubro que na verdade ela também precisa de mim. A fé precisa de um corpo pra habitar. A fé precisa de uma boca que faça uma oração. A fé precisa de uma mente para dedicar-se a ela, um coração disposto a comprar essa briga, pernas e braços que desejem levantar-se todos os dias com uma certeza. A fé precisa de alguém para satisfazer o coração de Deus. Quem ela deve procurar? Os religiosos ocupados demais com sua própria voz? Os loucos que se esquecem que são só Homens? Os insensíveis? Os rebeldes? Os amargos? Os corações duros, teimosos e ignorantes? Gostaria que a fé me encontrasse. E agora minha guerra muda de cenário. Não estou lutando contra o mundo, contra as pessoas, contra as decisões delas, contra a falta de amor que muitas vezes dói em mim. Eu estou lutando para que a fé, dentro do meu coração, faça sentido. Fé em milagres? Fé no futuro? Fé em Deus? Fé em que? Fé que justifique a minha existência. Fé que me ensina a sentir coisas certas. Fé que me faça acreditar que Deus ainda me ama, independente do que eu não entendo. A fé só pode habitar em pessoas. É tudo o que Deus tem a me oferecer. Sem isso, nada do que ele me oferecer fará sentido. A fé é um convite. Sem ela não há comunicação com Deus. Não há amanhã. Não há como vencer o dia mal. A fé não mata o dia mal, ela só faz com que eu não morra junto com ele. A fé é o ar no seu pulmão. Ninguém vê. Está dentro. Ninguém vê, mas está em movimento. Está trabalhando por você. A fé existe para que eu me lembre de que nasci com o propósito de sentir Deus todos os dias da minha vida. Independente das circunstâncias, independente das ameaças, do abandono. Eu preciso saber que há um Deus presente, socorro no dia da minha angústia. Eu preciso saber que não estou sozinho. Eu preciso saber o que Deus quer comigo no meio de tantas coisas difíceis. Ele quer chamar minha atenção? Dobrar meu joelho em reverência a sua existência maior? Quer saber o que há dentro do meu coração? Quer saber de fato o que eu mais amo? Ele quer apenas que eu chore em seu colo? Sem fé é impossível agradar a Deus. Esse é o segredo que o mundo todo deseja tanto saber. É por isso que escrevemos livros, e nos enchemos de álcool. Queremos saber o que estamos fazendo aqui, mesmo com a dor, mesmo com a falta, mesmo com toda dificuldade. O que nos entristece não são os momentos difíceis, o que realmente nos entristece é não saber como viver quando eles acontecem. Os choros virão, as alegrias também, mas quem é você? No que você tem usado sua fé? Em você? Num plano? Numa idéia fixa? E se Deus tiver coisas maiores? E se Deus tiver o inefável, e se Deus mostrar nos próximos dias que você é muito mais capaz do que imaginava? Capaz de amar outra vez, capaz de ter histórias que mudem a vida das pessoas, capaz de ser a prova viva de que o amor sempre vence, porque você conseguiu levantar no dia seguinte pra trabalhar? E se o verdadeiro milagre for sentir Deus curando a sua dor dia após dia? E se a verdadeira vitória for continuar apesar da realidade congelada? O mundo espiritual, anjos, demônios, criaturas que nem conhecemos, ficariam de fato muito perplexos. Poderíamos ter todos os motivos pra abraçar a morte, poderíamos achar que a ovelha ferida se parece com a morte, mas quanto mais dói, mas ela deseja o pastor. Mais ela sonha com pastos verdejantes. É seu instinto, sua existência, seu lugar. Há um lugar pra você. Para a incabível dor. Há continuação. Existe uma história maior, onde o seu sentimento é nítido diante de Deus, e só por causa disso, a semente do tamanho de uma lágrima floresce pra avisar que haverá futuro. Que a sua escolha seja a de que você também deve continuar vivo.

Em amor,

Luciana Elaiuy.

Corações bandidos.

Posted by umpontoum On April - 26 - 20124 COMMENTS


Era um ladrão prestes a morrer. 5 minutos antes ele reconheceu que seu vizinho de cruz era aquele tal Jesus. Não havia tempo pra questionamentos, mas os questionamentos deviam estar lá, como estão em nós atualmente. O que Jesus faz aqui, numa hora como essa? Deus e a minha morte? Tem certeza?  Pois é. Questionamentos, todos nós temos. Não precisamos ser covardes ou corajosos como um ladrão, pra saber que algumas perguntas às vezes nos assaltam. Mas lá no finzinho de vida, no restinho do dia, no pouco que sobrou, o ladrão sussurra uma coisa, como se fosse sua última chance de fazer algo certo na vida:  “Ei, Jesus, quando chegar no paraíso, lembra de mim?”.

Mas afinal, o que ladrões sabem de Paraíso? O que ladrões sabem sobre falar com Deus? Que interesse o Paraíso teria num ladrão? Há de fato um paraíso? Daqueles azul claro onde usamos roupas brancas? Precisamos pensar nisso? Precisamos querer morar lá? E se eu não quiser morar num lugar assim porque um lugar assim seria mais um inferno do que um lugar legal, pra mim? Estou sendo enganado? Sempre fui ladrão e agora to aqui bancando o santo, querendo que Jesus Cristo, que eu nem sei se acredito, lembre-se de mim quando chegar num lugar que eu nem sei se existe, e que se existir, eu nem sei se gosto?! O que a minha vida se tornou? Eu? Jesus? Quem escreveu esse roteiro?! Estou projetando umas coisas num céu que viu meus erros, viu minhas mentiras, viu minhas culpas, viu minha maldade, ouviu as palvras horríveis que eu falei (pra não citar as ações). Que tipo de Jesus picareta, Deus vendido, levaria um ladrão ao paraíso?

O texto começa agora:

A história humana é uma grande repetição. Sempre tivemos ladrões, e sempre teremos. Alguns atacam de noite, invadem a sua casa quando você vai viajar. Outros invadem a sua vida, e roubam a sua alegria quando você dá o melhor de si e é humilhado. Alguns estão na tv, outros estão nas igrejas de qualquer tipo de religião, outros estão dentro do seu coração. Alguns ladrões te chamam de amor, trabalham com você e te dão presentes. Alguns ladrões não querem seu dinheiro, querem sua paz. Seu talento, sua fé. E sempre teremos esses ladrões. Alguns deles, somos nós mesmos. Nos roubamos, nos judiamos, nos desrespeitamos, nos abusamos nos pensamentos, nas pressões, nas múltiplas tarefas que obviamente não damos conta, nas palavras mentirosas que usamos para nos descrever, na falta de equilíbrio quando comemos, bebemos, saímos, choramos, brigamos, ferimos. Sempre tivemos ladrões, e sempre teremos.

Mas sabe o que todo ladrão quer? Pertencimento. Os ladrões querem pertencer. Querem ter o que não têm, para talvez serem o que não são. Você conhece gente assim? Que conta a sua história e diz que ele que inventou? Que copia a sua roupa e diz que você que copiou? Desejar pertencimento é uma coisa séria. No caso do ladrão, que muitas vezes somos, começa com uma caência seguida de uma atitude errada, que provavelmente termina numa grande mentira.

Mas e quando o ladrão rouba uma coisa que serve nele, e em seguida percebe que até mesmo ele, o pior dos ladrões, o campeão das mentiras, também foi feito para algum pertencimento? Uau, parece ser uma história difícil de entender. Parece. Mas na minha bíblia diz que Jesus respondeu “sim” ao ladrão. Jesus não reagiu ao assalto. O ladrão ali, pedindo uma chance. E Jesus, que já havia dado tantas chances, pra tanta gente necessitada, numa atitude de completa loucura, perdoa o criminoso e dá a ele o que todos nós buscamos, roubamos, desejamos, achamos que compramos: pertencimento.

O pertencimento não é um céu de comercial de cream cheese. O pertencimento não é o sucesso. O pertencimento não é a boa ação. O pertencimento não é o salário gordo que querem te oferecer e também não é a nobre tristeza que você sente quando está sem grana. Pertencimento não é de dois, não é por família, não é nome na lista. Pertencimento não é quantos likes você ganhou em um dia ou quantos seguidores, ou quantos leitores existem no seu blog. Pertencimento não é transa fixa, não é transa relapsa, não é ser cliente preferencial. Pertencimento não é casar, não é ser dono da empresa, não é ser dono do mundo. O pertencimento não é saber uma reza, não é rezar um terço 90 vezes por segundo, não é sacrifício nem altruísmo, não é ter uma tatuagem com a frase mais linda do mundo. Pertencimento não é fazer parte de uma instituição religiosa, filantrópica, financeira, esportiva, estudantil, cultural. Não é grupo no facebook. Não é saber tocar, falar, escrever, jogar, como ninguém. Sabe por que?

Porque quando você estiver no finzinho de qualquer coisa (do dia, da vida, do sono, da esperança, do dinheiro, da relação, da paciência, da espera, da força, da etapa, do tratamento, da saúde, do amor, da tolerância com você mesmo, e até quando estiver no fim da fé), você vai precisar de alguma coisa que defina o que você é. Pra saber pra onde você vai, por exemplo.

Nesse momento, seus amigos não vao falar por você. Seu dinheiro não vai resolver. Seu pai não vai aparecer. Seu emprego não vai te garantir. Seu talento não vai realizar nada. Seu amor não vai te abraçar. Na verdade, tudo isso pode acontecer, mas ainda assim não é o pertencimento real. É só referência. História. Conjunto de dias. Feitos. Relações. O pertencimento que nossas almas ladras querem ter, só se descobre quando não temos nada. Nessa hora, você descobre que a única pessoa capaz de permanecer ao teu lado, e saber exatamente como você se sente, é Deus.

Ali estava ele. Pregado feito um ladrão, porque o mundo não entende quem oferece boas palavras de graça. Exposto feito um criminoso, porque o mundo não entende que o amor é simplesmente aceitar as pessoas como elas são. Ali estava ele, dando pertencimento a quem não merecia. Amando quase de um jeito idiota, como fez todos os dias.

Pertencimento acontece quando você sabe que Jesus é vivo o bastante para que fale com você. Amoroso o bastante para que se lembre de você. Salvador o bastante pra te dar uma vida espiritual. Seja ela um céu azul claro, um show de rock, uma conversa com um bom amigo.

Que tipo de ladrão diz “lembre-se de mim?” Ladrões não querem ser esquecidos?

Não. Ninguém quer. Apesar dos erros, aquele ladrão entendeu que pra pertencer é preciso aceitar o perdão. O seu perdão. Perdoar-se, dar-se uma chance. Deus não vai fazer nada por você, se você não der um mínimo sinal de que deseja isso. Deus não ajuda quem precisa. Ele ajuda quem acredita que ele pode ajudar. Religiosos, fechem os olhos: a dificuldade não te leva pra perto de Deus. São tuas atitudes baseadas em fé que levam. Pode guardar o milho onde você costumava se ajoelhar. Ajoelhar-se é antes de tudo uma postura do coração. Entregar-se, render-se, derramar-se em alguma coisa maior e mais poderosa que você. Isso é crer. Isso é ter relacionamento com Deus. Isso movimenta o espírito, ainda que seu corpo esteja preso na madeira, na empresa, na família, na revolta, na solidão, no seu quarto, numa história que deu errado e virou trauma.

A última cena é essa. Mas eu gosto de pensar que é só o começo:

“Tarde caindo, o sangue escorrendo, minhas memórias não servem mais pra nada. O dinheiro que eu roubei não me salvou. A mulher que eu roubei não me amou. Não há nada ao redor que me dê pertencimento. Hoje eu não pertenço à nada, mas estranhamente, uma curiosidade me aborda, um inconformismo me move, uma necessidade de ter verdade e amor, direção e redenção, salvação e identidade, se aproxima de mim. É a Vida que está me roubando agora. Vai levar o que eu tenho: um tiquinho de fé. E pouco a pouco estamos morrendo pra uma vida e nascendo pra outra. Eu e Deus. Pouco a pouco sou o ladrão mais pobre que já vi. Pouco a pouco, a pessoa mais rica que já fui. Por algum motivo absurdamente incompreensível, sou amado por Cristo. Ele se lembra de mim. E seja lá como for o céu, ainda hoje este miserável aqui estará na presença de um Rei.

OBS: Não espere morrer pra sacar isso. Mas mate algumas idéias que roubam tua vida.

 

 

Luciana Elaiuy

Onde está Deus?

Posted by umpontoum On April - 23 - 20127 COMMENTS


Onde está Deus na doença, no coração quebrado, no metrô, na saudade? Onde está Deus nas catástrofes, nos acidentes, na solidão? Onde está Deus no meu cansaço, na política, no cinema? Onde está Deus nas instituições, nas rezas, nas religiões, nos livros, nos discos, nas viagens? Onde está Deus no desenho, no verso, no museu? Onde está Deus na raiva, na cidade, no meu apartamento? Onde está Deus na madrugada fria, na chuva que atrasa o vôo, no vôo que leva o corrupto, que leva a maldade, que leva à miséria? Onde está Deus nas escolas, nas guerras, na morte? Onde está Deus no que eu não consigo escrever, na depressão, nas brigas de família, nos restaurantes caros? Onde está Deus nos tempos de esperas? Onde está Deus nos jardins, nas platéias, nos teatros, nos planos que eu fiz? Onde está Deus nas prisões, na televisão, nas fábricas? Onde está Deus nos gibis, nas estradas escuras, nas descobertas da ciência, nas teses, nos discursos? Onde está Deus nos países pequenos, nos jornais, nas reuniões de manhã? Onde está Deus nos quartos de hotéis, nas mesas de bar? Onde está Deus nos palcos, palanques, palpites? Onde está Deus nas pirâmides, nos balões, nas balanças em movimento, nos diagnósticos? Onde está Deus nos edifícios, no mármore, nos remédios, nas leis?

Não está.

Deus está nas pessoas, esperando ansiosamente que elas façam o que elas sabem que precisam fazer. E Deus também não está em algumas delas. Mas ainda assim, está esperando ansiosamente que elas façam o que elas sabem que precisam fazer.

Então a história é com você. E comigo.
Ele nunca estará nas coisas. Estará nas pessoas que estão envolvidas com as coisas.
Façamos o que precisamos fazer. Ninguém vai fazer nosso papel.
Sejamos as pessoas que interferem nas coisas e não as que tomam a forma delas.

Bonito de ler, né?
Vamos mais um pouco:

Você pode estar no pior cenário possível. Mas você não precisa encenar a mentira. Talvez o cenário mentiroso precise presenciar a tua atuação verdadeira, diferente de todo o resto. Talvez a verdade queira te levar por lugares que ninguém nunca andou, e mostrar pra você que, se há mentiras ao redor e se você continua de pé, é porque a verdade tem forças suficientes para te manter de pé em qualquer situação. Não estou dizendo que quem é verdadeiro deve sofrer, mas que a verdade te dá condições de forças muito maiores do que qualquer outra tentativa ou discurso. É fácil ser feliz no país das maravilhas, mas os que ousam viver íntegros no meio de um mundo falido são a prova viva de que a verdade ainda tem filhos.

Deus está nas pessoas. Mas não está em todas elas.

- Se Deus não está em você: que bom que você leu esse texto, porque o amor é disponível a toda criatura. Eu digo isso sem ensaios e sem medinho de que alguém pense que sou idiota. Já vi Deus mudar histórias horríveis e pessoas horríveis. Sem perdição a salvação não faria sentido. Então seja bem vindo à idéia de que sim, existe jeito. Sim, existe mudança. Sim, existe pra você e por você. Prepare-se pra descobrir que o amor real não é justo, porque se fosse, ninguém teria chances. O amor real se entrega por você não se importando se você mereça ou não. Essa é a verdade difícil, que o mundo não entende. Não somos perfeitos, jamais seremos, mas é uma revolução intensa descobrir que ainda assim há lugar para você. Se você conseguir entender o princípio desse raciocínio (que na verdade não é nada racional), então você começou a entender o que Jesus é.

- Se Deus está em você: então dentro de você não pode mais existir medo de Deus, ou culpa com Deus, ou peso de Deus. Porque Deus não é medo, a falta dele é que é. Deus não é culpa, o discurso religioso e bem elaborado que fizeram sobre ele, é que é. E Deus não é peso. O acúmulo de mentiras que insite em nos dizer qo quanto ele é complicado, é que é.

Não consigo me convencer do contrário: Jesus foi uma expressão de amor de Deus pelas pessoas. E sendo o que ele precisava ser (inclui-se nisso um amor absurdo e uma morte absurda), ele cumpriu esse papel. Teve uma causa e teve uma consequência. Aqui estou eu, escrevendo sobre ele, e sobre tudo isso, não é?

Então seja o que você precisa ser. Fugir disso é fugir de Deus. O Deus que foi em sua direção sem medo, sem peso e sem culpa. É assim que a verdade funciona. Ainda que a situação testemunhe o contrário. Um salvador morrendo? Um filho de Deus sofrendo injustiças? Pessoas boas sendo expostas? Você no meio de um cenário mentiroso? Você em situações que testemunham contra você? É. Isso mesmo. Porque chegou a hora de provar como a verdade mantém você em pé. É mais do que um valor, é relação com Deus. Alguns não entendem. Mas quem disse que você nasceu pra explicar as coisas? A melhor resposta vai ser a tua atitude. Nem sempre o teu grito, nem sempre a tua razão. A verdade e o amor são mais profundos que isso. Não precisam que ninguém os defenda, mas precisa que as pessoas lutem ao lado deles.

Então a história é com você. E comigo.
Onde está Deus?

Está em cada um depois de ler esse texto. Ou não.

Minha oração é de que você entenda que ser você, é concordar com planos maiores, espirituais e divinos. Talvez você sofra pra descobrir quem é essa pessoa do outro lado do espelho. Mas ainda assim, a verdade vai te acordar todas as manhãs, com novas chances e possibilidades (as novas chances são principalmente internas, tá?)

Seja e faça o que você precisa ser e fazer.
Ninguém faria melhor.
Deus está aí.

paz.

Luciana Elaiuy

Here comes the sun, tchu-ru-ru-ru.

Posted by umpontoum On March - 27 - 20129 COMMENTS

Talvez tenha sido o diabo. Talvez tenha sido a minha mente. Talvez tenha sido o diabo na minha mente, porque ele sabe da boa capacidade que ela tem. Talvez não. Talvez tenha sido só uma ideia estúpida da minha mente cansada e nada mais. Eu não sei quem foi, só sei que numa dessas noites resolvi não dormir. E resolvi contar os problemas, um a um. E cercar-me deles. Os malditos que me invadem de sopetão durante o dia receberam minha visita noturna, apareci de surpresa, desci até o meu depósito de pendências usando minha melhor roupa: a culpa. Eu fui à casa dos problemas. Eu me sentei com eles. Eu comi com meus fatos reais, olhei bem na cara deles e, pra minha vergonha, consentimos com a mesma coisa: eu não sou nada além de coisa alguma, eu não tenho condições de me salvar, eu não estou legal, a força do meu braço não é tão forte quanto parecia na época em que eu não precisava me esforçar pra alcançar as coisas. Não é exagero. Não é drama. A noite passou em poucos minutos, perdeu-se no meio dos meus pensamentos despertos e eu tenho quase certeza de que até a mobília do apartamento zombou de mim. Mas depois disso, amanheceu. E amanhecer é a coisa mais genial que acontece no mundo, porque ninguém manda no sol e mesmo assim ele faz o que deve ser feito. É o trabalho que nunca deu errado em toda história do planeta. O sol é fiel a alguma força maior, é obediente não por algum salário, mas deve ser por amor. Só pode ser por amor! Ninguém faz com tanta perfeição e entrega se não for por amor. Tem uma frase na bíblia que diz que a criação espera ardentemente as coisas se manifestarem. Eu pensei nisso, olhei pro dia chegando, o sol fez todo sentido do que significa a grande presença de Deus invadindo meu olho. O sol é uma teimosia abençoada e santa, só que a gente não valoriza porque isso foi relacionado aos emails de auto ajuda, correntes com fotos de horizontes e sol, e tudo isso é bem cafona. Aí ficamos com aquele lance de que tudo é uma metáfora barata, e de que Deus, o criador do tal sol, é o pai de toda breguice mundial.

Bem, não é isso. Não é isso mesmo! Eu vou te falar sobre Deus, e vou fazer isso falando sobre o sol nascendo na minha janela depois de uma noite difícil. O sol ali, incrivelmente decidido, a ponto de me fazer suar, a ponto de deixar a planta da sala com sede, a ponto de entortar as páginas do livro na estante, a ponto de acordar toda cidade sem fazer nenhum som. O sol nasce para todo mundo porque Deus nasceu pra todo mundo e ele não está muito interessado na sua condição aparente. O sol ama a todos, quem é você pra não respeitar isso, e não amar também? O pobre fica com calor, o rico também fica com calor. O rico liga o ar condicionado, mas se ele viver de ar condicionado ele fica doente e fraco. Quando ele vai ao médico, a receita recomendada é que ele se alimente e não se esqueça de tomar um pouco de sol. O sol faz bem aos ossos, e Davi disse num salmo “enquanto eu não me abri pra Deus, meus ossos se enfraqueceram” Você está entendendo? Não estou dizendo que o sol é Deus, mas tô dizendo sim, que Deus também é o sol. E que indiretamente você sempre estará sujeito à isso. Seu desenvolvimento emocional, sentimental, físico, espiritual, depende disso. Sua evolução passa por Deus, talvez você não perceba, mas até os seus ossos precisam disso. Quando você se expõe, uma lei de Deus acontece. É como o sol e suas funções: Deus tem planos estranhos e uma sequência de coisas que nos mantém vivos a despeito do que nós mesmos projetamos para nós. As escolhar que você faz, são suas. Mas isso não muda o amor absoluto dele por você. Talvez você nem respeite Deus, mas você precisa engolir o sol todas as manhãs.Talvez você queira viver com os ossos fracos, mas isso não muda, em nada, a missão do sol. Ele vai sair, ele vai estar disponível, ele vai continuar com a rota, o plano, o trajeto. Ele é como o amor de Deus: disponível a toda criatura. Formigas, bandidos, idiotas. Todo mundo ao sentir o sol na pele deveria sacar que há sim um plano maior, umas questões mais altas, umas histórias invisíveis que influenciam as histórias visíveis. O sol é poder divino, o mesmo que faz alguém se apaixonar por alguém, o mesmo que faz milagres, o mesmo que dá força a um homem com 3 empregos ou a um homem sem nenhum emprego. O sol é Deus amando além dos acontecimentos, acima das opiniões. O sol não é educado porque Deus não tem esse pudor. Não respeita tristezas porque sua própria missão de nascer todos os dias e ensinar alguma coisa maior, já é um consolo. O sol não é reação. Ele é, e basta. Negue sua existência, negue sua ciência, tudo bem. O calor não é questão de opinião, é questão de experiência. Uma hora, você sente calor. E Deus te respeita como ninguém, mas sinceramente, ele não precisa da sua opinião pra existir e ser o que é. Ele vai continuar sendo. Se você sentir o calor, sorte sua.

Naquela madruga eu estava lá, na relação intima com minha podridão. E o sol sem educação invadiu minha visão. Me obrigou a rastejar aos pés do dia, e não mais aos pés da minha insignificância triste. Você entende a diferença? Somos pessoas e estamos sempre obedecendo a alguma coisa, mesmo quando não percebemos. Mas existe aqui a sutil diferença entre beijar os pés da dó, ou beijar a bochecha do sol, só porque ele, assim como Deus, mostrou-se amável e mais interessado em manter a ordem das coisas grandiosas do que a ordem dos pequenos problemas. Não que Deus seja indiferente a você. Ele só é indiferente à mesmice que quer te prender na questão, da dúvida, na dor, na mortalidade, nas coisas dessa vida. Não é que ele é insensível, Ele apenas prefere te mostrar umas coisas mais interessantes, como ver o sol nascer. Sabe?

E é aqui que começa o dia: você pode querer cortar os pulsos e decidir que de fato, Deus não tá nem aí pra você. Ou então, pode abrir um pouco mais os olhos pra essa luz e sabiamente concordar que se Deus tem questões naturais a resolver todos os dias, então você certamente está contido nisso. Se Deus tem a função de manter o sol no céu, a seiva no caule, o peixe lá embaixo, então ele tem planos pra você. Nós somos orgânicos. Nós somos de verdade. Nós somos tão vivos quanto o sol, a flor, o peixe. Somos parte de um plano naturalmente perfeito, onde há equilíbrio e verdade. Como eu posso pensar que Deus me esqueceu? Pode ser que ele não dê muita atenção para as misérias que me prendem agora, mas isso não significa que ele abriu mão de mim. Se Deus dá função ao sol e dá poesia aos dias, por que ele não faria isso com você? Nós temos demandas, porque até isso procura uma ordem, um destino, um Deus. Você tem sede? Você tem vontade de ir ao banheiro? Você sente sono? Você sente desejo? Raiva? Dor? Você se espreguiça? Não percebeu que isso tudo obedece a uma ordem? A necessidade prova a existência de um Deus que provê as mínimas coisas. Quando você deita na cama, não é bom? Apesar de todas as suas preocupações, seu corpo continua sincero, ele quer o colchão. O corpo não entende a linguagem moderna. O corpo foi formado por Deus, ele busca obedecer ordens naturais. Deus faz o corpo desejar o descanso, faz você ter fome, faz você sentir vontade de abraçar alguém, porque estamos nos desenvolvendo como criaturas, pessoas, filhos. Estamos sofrendo porque queremos viver bem, e queremos viver bem porque essa é a porção que nos cabe. Nós queremos, ainda que sem entender, viver a plenitude do que é ser uma criatura de Deus. E é por isso que esse papo de sol não é besteira. É um sinal de que Deus fala através do que ele faz. E de que tudo se completa. E de que existe um ciclo vivo, um trabalho incessante de Deus por você, para que entre milhões de significados você entenda pelo menos esse: Deus ocupa-se com você a cada segundo. A cada milésimo. Isso não tira sua conta do vermelho, mas muda a perspectiva e quebra as palavras maldosas que seu gerente falou sobre você e que te feriram.

Eu tenho problemas. Você tem. A quem queremos enganar? Mas nós temos o sol. A marca ardente e praticamente insuportável, que nos prova que talvez o ciclo das coisas não seja tão baixo, e que Deus tem um jeito espiritual (e extremamente natural) de começar e acabar todos esses dias que passam por nós. E talvez você precise atravessar uma noite difícil pra ter o consolo solar algumas horas depois. Pra ser surpreendido pela indiferença de Deus em relação às pequenas coisas que nos incomodam. Certamente, a luz incomoda mais. Certamente, essa grandeza não é descaso de Deus, mas é um lembrete às nossas almas mofadas de que Deus continua em movimento, de que o motor das coisas não parou, de que os dias nascem porque precisamos de novas chances e Deus sabe disso. Preste atenção na natureza, porque ela é a fala sincera de Deus. Há a cadeia amlimentar, há o desejo do homem pela mulher, há a fome, o impulso, o medo, tudo pertence às mil coisas que Deus usa pra chamar a sua atenção.

O sol não engana ninguém. Resta saber quem vai olhar pra ele a olho nu. Quem vai olhar pra Deus com sinceridade? Sem interferências? Algumas pessoas não olham direto pro sol, não só por causa da luz, mas porque ali brilha uma verdade incontestável, mais insuportável que a correspondência que você não abriu por medo, mais incisiva do que sua raiva, impaciência e falta de jeito em levar uma vida menos complicada. Ali brilha o inevitável. Deus é inevitável.
Você tá disposto a ver Deus a olho nu? Sem os óculos da intelectualidade, sem os óculos dos seus problemas? Sem as lentes mentirosas dos livros desnecessários, sem o colírio desse mundo, que insiste em dizer que você precisa de um pouco de paz, mas nunca explica como encontrá-la? Vai querer olhar pra Deus sem a lente de aumento da lágrima? Vai ter força pra ser sincero com Deus? Vai ter coragem de mudar um comportamento porque descobriu que você não pode enganar Sua presença? Vai pedir perdão, pra você, pra Ele, pro cara do seu lado? Vai calar porque descobriu que o grande silêncio do sol é a voz potente de Deus?

Se você está dentro de uma noite (mesmo se estiver sol lá fora), se você está na casa dos problemas, sentindo-se humilhado pelas suas próprias atitudes, tente programar uma passada pela verdade maior. Depois da festinha dark, dê uma olhada no sol e veja se a luz não humilha suas umidades, veja se a força do dia não é mais forte que as ameaças que a sua mente sussurra todos os dias. E entenda que o sol, é só um jeito de Deus dizer que está diariamente presente nas tuas questões. Insistentemente quente, enquanto a mobília zombadora apodrece no sol.

Luciana Elaiuy

Goodbye Mimimi*.

Posted by umpontoum On February - 24 - 201210 COMMENTS

O que me ocorre é que naquela madrugada Jacó lutou com Deus porque queria ser abençoado, não porque queria respostas para uma listinha de desejos. Jacó precisava de um nome, uma definição, uma identidade, um rumo. Da mesma forma, quando Davi saiu obstinado a enfiar uma pedra na testa daquele gigante, ele não fez isso porque havia programado e ensaiado seu grande momento na frente de seus irmãos mais velhos, mas porque de alguma forma as palavras que o tal gigante falava eram tão contrárias às verdades que Davi conhecia, que essa era a maior de todas as violências que ele poderia viver. As lanças, espadas e armas não poderiam ferir mais do que isso. Me ocorre também que Ester entrando na presença do rei, sem autorização, sem confirmações e sem esquemas, e ainda colocando a vida de um povo inteiro em questão, significava e significa que em certos momentos os sonhos passam a ser uma guerra, sonhar significa lutar e não há nada de errado nisso se você entende isso. Ester escolheu não cair no conto de fadas, da princesa alienada e, obviamente, sofreu a aflição. Me ocorre também que aquele dia, na praia, Pedro abandonou as redes porque uma verdade maior já havia prendido sua atenção. Pedro escolheu. E Paulo, que ficou um tempo cego, e não ligou muito pra isso porque o que tinha visto minutos antes valeu mais do que qualquer visão. Adão e Eva, nus naquele jardim, aflitos e se sentindo deslocados, sentiram vergonha não porque estavam pelados de fato, mas porque ficou evidente que naquele momento alguma proteção, garantia ou segurança não serviria mais naqueles corpos, naquela existência, naquela condição. Dá pra imaginar a vergonha? E Neemias vendo a cidade arrasada, andando sozinho com seu cavalo pelos restos e memórias de tudo o que amava, não vagava pela madrugada pra sentir pena de si mesmo, mas para sentir com o próprio coração a história e a dor de seu povo. Me ocorre também que Jonas sufocando entre vida e morte, entre medo e confusão dentro daquela baleia, começava a entender do que a vida é feita. A vida não é feita dos lugares onde você quer ou não quer estar. A vida é feita de vida e de morte. De sim e de não. De aceitar ou rejeitar coisas sérias. Essa era a luta naquele dia, dentro da barriga da baleia. Me ocorre Ana entrando no templo com o coração estraçalhado por palavras e frustrações. Ela chorando e as pessoas achando que ela estava bêbada. Ela falando com Deus e as pessoas achando que ela não falava nada com nada. Ela desabafando no colo de Deus, e as opiniões, olhares e comentários batendo nela e caindo no chão. Noé focado numa coisa que ninguém entendia, ninguém conhecia e por isso ninguém respeitava. Noé começando e terminando a construção apesar dos absurdos que sua própria consciência reclamava. A viúva pobre entregando moedas no templo porque o pouco que tinha não se comparava ao tanto que amava aquilo tudo. O profeta Isaías, dia e noite anunciando a vinda de um Salvador, sem saber se acreditariam ou não. Moisés com a perna bamba, gago, tímido, medroso, vendo sua vida ser radicalmente chacoalhada por Deus para que ele dirigisse um povo de fé cansada. Elias, Eliseu, vivendo a dor e a delícia de ter uma vida espiritual e ao mesmo tempo viver num mundo carnal, maldoso, malicioso. José odiado por ser sincero, por ter sonhos enquanto todos tinham os olhos bem abertos. A mulher com fluxo de sangue se esforçando pra tocar em Jesus e nada mais. Jesus sabendo que morreria nos próximos dias e ainda assim, chorando a morte de um amigo querido.

Sabe o que me ocorre quando penso nessa histórias? Que talvez nós não estejamos sofrendo pelas coisas certas. E que o simples fato de sofrer não faz de nós seres incrivelmente espirituais. Me ocorre que as histórias acima não são sobre pessoas que viveram ha muitos anos, mas sobre pessoas com os mesmos sentimentos que eu e você, mas que souberam colocar o coração nas coisas certas, que crescem, transformam, reproduzem, recriam. Como colocar isso de um jeito mais atual? Bom, essas pessoas não gastaram a energia com besteiras. Não gastaram os dias batendo boca. Não se exibiram pra Deus, mas foram sinceros. Mesmo Adão e Eva, depois da melecada, disseram envergonhados, tristes: “olha não vamos nos esconder porque você vai nos achar. É isso, nós estamos nus”.

O fato é o seguinte:

Você é um ser humano e você vai sofrer. Todo mundo sofre. Mas o mundo é cheio de distrações, você já deve ter percebido. Quando você vê, está brigando e sofrendo por coisas muito pequenas. Muito mesquinhas. Coisas rasas, baratas, poucas. Como ter uma experiância profunda com Deus, com a vida, com a arte, com um livro, com uma música, com uma pessoa, se você deposita sua atenção, olhos e ouvidos e sentidos em coisas tão pouco eternas? Pra que você acorda todos os dias? Para discussões sem fundamento? Para ver quem fala mais alto? Pra ver quem fala menos? Para ver quem fala por último? Como Deus vai falar com você se você não der uma chance? Afinal, por que mesmo você está muito bravo? Por que mesmo você despejou milhões de palavras maldosas em cima de alguém que obviamente foi maldoso com você justamente por não ter condições para o bem? Eu fico pensando.. até quando vamos ficar nesse estágio vingativo, tendo que desperdiçar sangue em questões afloradas, simplesmente porque somos assim? Será que Deus não está nos dando chances de sermos melhores a cada minuto? A cada fechada no trânsito, a cada decepção, a cada tropeço? A cada solidão, a cada incompreensão, a cada traição, a cada pedrada? Não seria mais inteligente (emocionalmente e espiritualmente) parar de culpar Deus pelos sofrimentos que todos nós, humanos, provocamos uns aos outros, e começarmos a entender os sinais? Qual vai ser o final da história se não entendermos que de fato ela terá um final, e que o começo e o meio servem para alguma coisa? Quando vamos gastar horas e horas meditando no amor incondicional de Deus, ao ponto de estarmos sob seu efeito e formos incapazes de um revide, incapazes de chorar uma pitanga, incapazes de gastar tempo com o que não acrescenta? Quem não conhece o amor real não tem porque desejar ser melhor, afinal, o mundo é mesmo injusto. Mas se você acredita que alguma coisa te salvou, te resgatou de uma condição espiritual miserável, e se você acredita que o amor de Deus é como um banquete que fortalece suas ações e presença no planeta Terra, então por que não dividir isso com as pessoas? Por que não dar aos que não têm, e experimentar a sensação indescritível de fazer a diferença não pra ser melhor, mas para tocar na vida de alguém e plantar uma semente que preste nesse campo minado?

Todas as histórias acima são de pessoas que sofreram sozinhas, por um momento. Não estavam na internet, não estavam no celular, não estavam ganhando grana, no cinema, na balada, no bar. Pelo menos em algum dia da sua vida você precisa não estar nesses lugares. Precisa estar mais afim de Deus, de questões maiores, de sofrimentos que causem mudanças, de solitude, de aceitação, de olhos abertos, de cara lavada, de sobriedade, de amor e não só de prazer. Essas pessoas souberam sofrer pelas coisas certas, souberam se concentrar nisso por um momento e por isso as histórias se espalharam. Outras pessoas foram tocadas pelo fruto de um sofrimento bem cuidado. Pessoas foram transformadas, alcançadas, histórias mudaram, o mundo mudou, a cultura mudou, o jeito de Deus falar com as pessoas mudou. Essas histórias chegaram até nós, até esse blog, a hsitória de alguns sofrimentos chegou até você e com bons motivos nas entrelinhas. Essas pessoas souberam o que fazer com os perrengues, com os sofrimentos. Simplesmente porque o sofrimento que tornou a história digna, passou pelos corações certos. Corações criativos os bastante para que a dor fosse usada para coisas melhores.

Sabe o que a maioria dos artistas dizem? Que em momentos de sofrimento eles conseguem criar com mais facilidade. Ficam mais sensíveis, mais aguçados, mais focados. Agora pensa uma coisa: sofrer pelas coisas certas faz de você, além de um corajoso, alguém com capacidade de perceber o que há ao redor. Você foi traído? Então trate de saber falar com quem foi traído, porque você certamente vai reconhecer quem passou por esse tipo de sofrimento. Você foi mal interpretado por todos ao redor? Prepare-se para usar isso e resgatar pessoas que estavam com o coração quebrado. É assim que a vida se renova, e as coisas acontecem e o mundo gira. Deus coloca pessoas na vida de outras pessoas, para criar histórias novas. Você escolhe se a história vai valer a pena ou não. Não há outro caminho. Não há como fazer a diferença apenas colocando um adesivo de Jesus no seu carro. Não basta fazer yoga, ler trocentos livros, viajar o mundo, achar o amor da sua vida, não basta fumar um banza e não basta apenas estar na igreja todos os domingos, não basta. Se você nasceu você tem uma função. Se há dor no seu coração, ela precisa ter função também.

Então preste atenção numa coisa boa: talvez você esteja lendo esse texto pra dar uma limpa no que deve ser sofrido, vivido, chorado, atravessado e superado, justamente porque você precisa estar limpo e aberto para novos acontecimentos. Talvez esteja na hora. Talvez já faça muito tempo e esse sofrimento repetido precise de um pouco de ar, um pouco de Deus. Talvez você precise selecionar os sofrimentos pelos quais valham a pena lutar, dobrar os joelhos até que eles descubram um caminho mais excelente. Sabe, muita dor nas mãos não deixa você usá-las como deveria. Muita memória de dor não deixa você sorrir como sorria antes, e você precisa ser a história pulsante de alguém quem soube o que fazer com os sofrimentos. Por que? Porque você certamente acredita que Deus não é aquela escultura inamimada, rs..! Precisamos colocar o coração nas lutas certas. Enquanto fazemos isso, as outras lutas se desenvolvem e muitas vezes a melhor resposta acontece quando você está ocupado com o que edifica, com o que floresce, com o que serve pra alguma coisa. Para os sofrimentos internos, entenda que aí começa uma caminhada com Deus. Para os sofrimentos que alguém fez o favor de depositar na sua cabeça, entenda que a maior vingança é você dar certo. É não parar de andar, de crer, de ser bacana, de estar aberto. Não desperdice a sua vida. Não deixe que as pessoas roubem a sua vida. Mesmo se essa pessoa for você mesmo. Ao invés de ser um canal de água suja, seja um canal que mate a sede. Você já pensou em como a sua dor pode ser útil? As pessoas precisam de amor e o amor não tem forma. Porque o amor tem que ser você. As pessoas querem um pouco de Deus e Deus não tem forma. Porque a forma de Deus tem que ser você. Seja as palavras de Deus, seja a presença dele, seja extensão disso. Pode ser que você pare de sofrer pela novela e comece a sofrer pelo pivete na rua. Pode ser que você desencane do BBB e também não queria mais se deitar com uma pessoa a cada sábado, e pode ser que você se amarre em olhar nos olhos das pessoas, ouvir a história delas, ter paciências que você nunca teve. Quem anda com Deus sofre as dores de Deus e também suas alegrias. Suas lutas e também suas justiças. Use o seu espírito para alguma coisa ainda nessa vida, porque Deus nunca sofreu pelas coisas erradas, e se você está lendo isso, e se eu tô escrevendo isso as 3 da manhã, e se nós estamos inquietos buscando repostas, famintos e dispostos a mais, te asseguro sem dúvida alguma de que Deus não sofreu em vão.

*(Nada contra gatos fofos e meiguices desse tipo. Mas se o gato faz o seu coração sofrer mais do que seres humanos, talvez você precise dar um copo de leite para o seu porteiro e uma lã para uma criança de rua. Goodbye Mimimi).

Luciana Elaiuy

Do vigésimo primeiro.

Posted by umpontoum On February - 8 - 2012ADD COMMENTS

Suba no vigésimo primeiro andar e veja a cidade de longe. Todas as histórias, famílias e feridas reduzem-se a pequenas luzes nas janelas, e dentro delas o mundo se esconde. Quando dá 23:15 a maioria das janelas se apaga mas não adianta fingir. Muita gente se deita, pouca gente consegue dormir. Suba no vigésimo primeiro andar, perceba que o céu é próximo e que quanto mais perto, mais longe ele fica, e quanto mais quente é o sol, maior é a ventania, e quanto mais bonito de ver, mais aflita a respiração fica. Dá medo de cair lá embaixo porque no fundo o que dói é a queda ralada no asfalto. Não é a altura da vida. Na realidade, a curiosidade que dá é saber como seria, algum dia, poder cair pra cima.

Entre no vigésimo primeiro andar e pense no homem que construiu essa estrutura cimentada e arrogantemente alta. Ele provavelmente já deve estar morto. Sete palmos abaixo da terra. Veja que apesar dos alto sonhos é sempre pra baixo que nós voltamos, e aquilo que era tudo, fica pouco quando o tudo já era. Ninguém conseguiu ser melhor que ninguém neste quesito. Todos que já viveram, já morreram. E sobre a morte, alguns falam que há paraíso, outros dizem que há o juízo, e outros preferem nem falar sobre isso. Fato é que ninguém nunca morreu e voltou pra dizer como é. Na verdade, um voltou, mas pra saber o que é isso, você precisa ter um pouco de fé. Quando voltou a viver, ele não falou sobre morte, porque na verdade, a vida ainda deve ter assuntos a tratar com você. E pra saber o que é isso, e o que é Jesus Cristo você precisa escolher crer.

Pois bem, certa vez, um homem chamado Paulo, disse: Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer está em mim mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero fazer, mas o mal que não quero, esse eu faço.

Paulo disse isso depois de ter a perfeita noção de que seu coração era salvo. De que ele tinha acesso a remissão, redenção, transe, paz de espírito, depois de ter a certeza, segundo o que cria, de que morreria e iria pro céu, sejá lá o que isso significasse ou signifique. Ele era um homem que perseguia e passou a ser perseguido, um homem que matava e que depois escreveu cartas aos cantos do mundo onde, ironicamente, tinha muitos amigos. Um homem. Só um homem. Um homem resolvido com sua fé. Fizeram dele um santo, usaram pra nome de cidade, e até time de futebol. Pois veja você: o santo disse que fazia o mal e que não conseguia fazer o bem. E disse em outra situação, que mesmo depois de salvo tinha alguns calos, alguns espinhos na carne. E ele poderia ficar na dele? Curtir os dias pré-paraíso? Exibir a salvação como quem exibe uma promoção? Não. Ele era muito verdadeiro pra isso, e porque era verdadeiro, também era simples. Todo mundo erra. Por mais salvo, por mais amigo de Deus, por mais espiritual.

Paulo empresta seu nome a cidade onde eu vivo e isso me faz lembrar que apesar de toda busca em sinceridade, nós somos falhos, nus, e um pouco pior do que os maus, porque somos pessoas boas que nem sempre conseguem fazer o bem. Vivemos nessa crise. Não somos maus, mas não somos tão bons em sermos bons. Como Paulo, nós desejamos o bem mais do que a um beijo e não conseguimos fazê-lo. Mais um dia acaba e levamos mais um peso pro travesseiro. Não queremos salvar animais em extinção todos os dias, se bem que isso seria ótimo, mas nosso fracasso está justamente declarado na ausência de compromisso com as pequenas coisas: ligações, horários, amores que devemos dar, palavras que devemos depositar no coração de alguém, gratidões que devemos ter, cuidados que devemos ter, costumes que devemos ter, sentimentos que devemos ter, conversas que devemos ter. Mas olhando a cidade, que tem Paulo no nome, lembro que realmente ninguém é perfeito. É quase um sinal de que há chances de erros, e chances de acertos. De que há jeito para o pior, de que há chance para mim. A perfeição de Deus busca corações desse tipo. E não somos perfeitos. Nem Paulo, nem a cidade, nem eu, nem você, nem a mais limpa das vontades, nem as orações planejadas, nem o sono, nem a madrugada. Na verdade, a madrugada é o que mais se aproxima da perfeição, porque ela cumpre seu chamado com fidelidade ao dia, e à noite, independente do que aconteça. Ela é absolutamente devota a Deus, e os ponteiros que se virem :)

Algumas vezes Jesus falou sobre perfeição. Mas nós, imperfeitos e preguiçosos, não entendemos muito bem. Pensamos que ser perfeito é ser irreparável, quando na verdade, ser perfeito é aceitar ser moldável. Tipo a história do oleiro fazendo um vaso. Nós somos de barro. Deus suja as mãos pra nos moldar. Nós somos fruto de uma arte que se refaz. A função do barro é entregar-se às mãos do artista. E ser perfeito é isso: não esquecer de onde vem a sua vida e pra onde ela pode ir. É lembrar-se do início, do simples, do puro, do divino, e ter coragem de pertencer a isso enquanto o mundo desiste de tentar. Enquanto o mundo endurece e vira peça velha. Ser perfeito é ter o sim da obediência às leis e valores espirituais e tê-las marcadas no peito quando a teimosia humana reverbera que dar a outra face é falta de respeito. Bem, o dia que formos capazes de dar a outra face então as flores e os pássaros e os rios vão cantar sobre o que é a perfeição. Porque finalmente, pessoas imperfeitas e erradas foram capazes de um gesto elevado, capaz de ir contra o regime do ódio e da mesquinharia, e eu te falo sem dúvida alguma que nisso há mais verdade e sangue do que em qualquer religião, ou qualquer guerra, ou qualquer coisa que se nomeie santa. Reverbere isso: nada é mais sagrado do que a reparação de um pecado (e pra não confundir, entenda por “pecado” tudo o que separa você da presença de Deus. Não o comportamento ousado que vai contra costumes vazios que por vezes tentam se fazer de santo e que na verdade são idiotas). Jesus falou de perfeição, e nós, religiosos hipócritas e moralistas, achamos que ser perfeito é não ter manchas na camisa. É ter dinheiro pra não ter vergonhas. É estar sempre apaixonado e pronto. É não discordar das coisas. É ser o melhor aluno, é acomodar-se na cadeira, no sofá, na função. Achamos que perfeição são palavras bonitas quando a perfeição é uma oração sincera que se confunde com lágrimas ou não, mas sempre depositadas nos pés certos, por lábios de quem tem fé, e não por lábios espertos, que não lavam nem beijam nem seguem os passos e o Caminho. Jesus quer quer você seja perfeito e você acha isso um saco porque o seu conceito de perfeição é um saco. É produto. É fábrica. É produção em série. É coisa. É um Nike. Enquanto que a perfeição que ele fala tem a ver com pureza, verdades, tem a ver com “pertencer”. Tem a ver com ser grato, ter memória de quem Deus é, o que fez por você. Quem são as pessoas ao seu redor e o que elas fazem por você. Perfeição é saber voltar ao início, à origem, ao original, enquanto o mundo todo julga esquisito arrepender-se e aprender outra vez, e prefere nadar na água suja porque sujeira é normal. As pessoas mais perfeitas que existem estão sempre em busca e no entanto estão sempre resolvidas. Há uma paz que não é santa, é humana. De humanos em paz com Deus. Ele não espera santos. Ele espera pessoas normais afim de santidade, afim de viver com o coração limpo dessa meleca que gruda em nós a cada esquina. Ele espera almas quebradas. Ele é o “venham a mim, vocês cansados! Descansem sobre mim, vocês pesados”. Ele é a pergunta desaforada num mundo individualista: “Posso levar o seu fardo?” Ele foi o único capaz de esquecer o seu passado enquanto a filosofia construia muletas para você aprender a andar machucado”. Não pense que você só pode falar com Deus depois de ser uma pessoa melhor. Isso só vai atrasar a sua vida espiritual. Isso não vai acontecer. As almas humanas quebram, como as asas dos pássaros quebram. Mas o vôo ainda existe porque o pássaro ama o ar como a alma ama uma verdade capaz de libertar. Seu erro não faz de você um imperfeito. Ignorar o perdão é que faz. Ignorar a boa nova, faz. Ignorar a mudança é ignorar tudo o que Jesus fez. Ele basicamente mudou a vida das pessoas, não seria arrogante achar que ele não deve mudar a sua? Jesus falou de perfeição, não pra você ser inquebrável, com asas turbinadas, mas para você ser inviolável, como o instinto do pássaro! Não esqueça da sensação que é voar. Quer ser perfeito? Então não viole e não abandone este simples preceito: o amor é o que salva a vida das pessoas. O amor é o que fez Jesus morrer na cruz sem precisar morrer, muito menos numa cruz. Não foi suicídio, foi o exemplo vivo de que você não precisa morrer a cada erro. Quem não tinha erro fez já fez isso por você. Ele quebrou a regra óbvia, e aí deu pane no velho sistema “errou não tem chance com Deus”. Ele furou o sistema. Abriu passagem. Liberou o caminho. O amor é esse exercício de entrega complicado, porque é muito mais fácil pensar que as chances acabaram e que o seu comportamento nunca mudará. Aí você se conforma e enquadra a bunda no sofá, no banco da igreja, do bar, da balada. Mas mais uma vez, vem o amor, como ato voluntário e o único santo existente na Terra escolhe ser crucificado para que os imperfeitos tenham mais opções do que só um passado manchado, chato, marcado por pisadas na bola e vagabundagem. E é por isso que não me canso de escrever nesse blog que entre milhões de coisas que Jesus significa, uma das mais incríveis é que Ele é o caminho de volta pra você mesmo. Ele te ajuda a gostar da sua vida. A voltar quando precisa voltar, a ousar quando precisa. A calar quando deve, a falar quando sente. Sem você precisar ser perfeito como o mundo espera que você seja. Mas permitindo-se ser amado e aceito. Mesmo com erros inaceitáveis. Isso é difícil de entender. Somos formados e educados por filmes babacas e novelas, então é óbvio que nos condenamos quando há erros, problemas, e temos medo das reparações, do novo, da quebra. É fácil nos enxergarmos como personagens. O bom é bobo e o vilão morre vilão. E pra terminar, ser perfeito não é amar-se ao ponto de bastar-se. É amar tanto ao ponto de amar-se, amar o próximo e amar até quem não sabe disso tudo que você leu. O amor é o vínculo da perfeição (leia essa frase mais uma vez!) e ser perfeito é amar quem não merece, porque você também não merecia e mesmo assim foi amado. Ser perfeito é desejar falar isso com as atitudes e com a sua conduta de vida. É entender que dentro de cada janela tem uma imperfeição, mas mais importante do que isso, é enxergar dentro de cada uma delas, pessoas de carne, osso e coração. Aqui do vigésimo primeiro andar, onde eu moro, dá pra ver que qualquer endereço é confortável e perfeito para esse tipo de salvação. Tem uma cidade com nome de santo, que não conhece a verdadeira perfeição espiritual, mas hey! Não tenhamos medo de cair pra cima. Isso se chama redenção, pecadores!

Luciana Elaiuy

Tudo aqui, escrito dessa forma.

Posted by umpontoum On January - 30 - 20126 COMMENTS

Desligue esse celular um pouco. De uma vez por todas, sua vida não vive dentro disso e lá fora há muito mais. Apague o cigarro inquieto entre os dedos. Diminua a velocidade maluca entre os dias. Lave o rosto. Olhe para o seu rosto no espelho. Essa é a cara que vai com você até o último dia. É a cara que está com você desde o início. É a cara de quem você não pode esconder o vexame, a raiva, a dor. Não esconda-se de você mesmo. Organize os pensamentos de hoje e caso não consiga organizar os de amanhã, tudo bem. A pressa nunca conseguiu mudar a trajetória de nada. Sente-se, coma coisas que faça você se amar mais. De vez em quando, prefira comer coisas que não vêm em pacotinhos muito coloridos. E olhe para o céu. Mesmo cinza, mesmo chovendo, mesmo estranho, mesmo poluído, mesmo se você estiver atrasado. Ouça a história de alguém e abrace forte como resposta. Ao invés de dar sempre sempre sempre sempre o seu velho parecer.

Tudo aqui, escrito dessa forma, pra você entender que a vida está acontecendo agora e que se ela é resistente, ela também é frágil. Tudo aqui, escrito dessa forma estranha, pra você se poupar, se preservar, se cuidar. Tudo aqui, escrito dessa forma gentil na intenção de que todos leiam e entendam, porque daqui até a morte nós vamos precisar nos amar melhor e entender melhor o que somos. E isso implica em saber recomeçar. É, nós vamos ter que nos dar essas segundas, sétimas, vigésimas eternas novas chances. Tudo isso aqui, escrito de forma organizada ou não, desesperada ou não, pra você lembrar que essa é a sua jornada. Essa é a sua jornada.

No começo é bem inspirador. E não seria lindo se o bairro inteiro soubesse que você está dando uma nova chance a você mesmo? Não seria lindo se o porteiro soubesse que daqui pra frente você será uma nova pessoa? Não seria lindo se a sua família desse uma trégua, afinal, agora sim você está preparado para ser mais amoroso, mais paciente e mais maduro!? Não seria ótimo se os bancos compreendessem que agora você vai gastar com mais responsabilidade? E perfeito se o universo pudesse entender as questões do seu coração? Não seria lindo se o proprietário do apartamento que você aluga, confiasse em você? Não seria renovador se os amigos que você não vê há tempos, entendessem o quanto você anda ocupado? Não seria mais fácil se as pessoas ao redor conseguissem enxergar a sua essência, a sua verdade, e soubessem que ao invés de ser o melhor, você quer ser só melhor?

É. Seria ótimo. Mas sabe uma coisa? Ninguém sabe, ninguém quer saber.

É como se o mundo tivesse mais o que fazer. Não importa as questões internas de ninguém, porque vivemos num mundo que se alimenta de coisas visíveis. Até você provar o que tem dentro do seu coração ferido, bom e sobrevivente, muito tempo já passou e as pessoas já foram embora. Mais uma vez, nós vivemos num mundo que se alimenta de coisas rápidas e caráter leva tempo pra ser formado. Você foi bom, é bom ou quer ser bom, mas ninguém viu. E a pessoa com quem você foi grosso ontem nem imagina que agora você está arrependido, com vergonha do que fez, e aí quando você vai falar com ela, você é tratado do jeito que tratou. Olho por olho, dente por dente, grosserias na sua cara e um ótimo motivo pra ficar com raiva do mundo. O que fazer?

Eu acho que precisamos de uma intervenção. Um árbitro que não viva as nossas leis matemáticas, mesquinhas, maldosas. Um ser supremo, superior, que a despeito dos erros possa considerar nossas intenções. Um ser que enxergue por dentro, que sonde nossos corações e músculos e saiba quais são as nossas reais intenções. Quais são as verdades num mundo onde peca-se por amor, rouba-se por sonho, bebe-se para esquecer a dor e trai-se para buscar felicidade? Acabamos vivendo num mundo onde tudo tem uma justificativa, uma explicação, um pretexto, uma defesa. E seguimos cada um com uma opinião, omitindo pra ter paz, julgando pra se defender, entregando o corpo e a alma pra não ficar só, gritando pra buscar paz, calando pra não brigar, trabalhando demais pra ter sossego, ignorando pra não se frustrar, buscando a Deus por medo do diabo. É tudo muito ambíguo e exaustivo. É evidente que nunca conseguiremos organizar essa bagunça e que nem toda maldade é por pura maldade. É evidente que estamos perdendo a noção do sim e do não, é evidente que estamos rápido demais e logo ali tem uma parede de coisas acumuladas, que nós mesmos empilhamos porque simplesmente não sabemos mais lidar com as aflições, as insônias, as carências, a falta de amor, de atenção, de poesia, a falta de honra, de fidelidade, de amigos verdadeiros, de chefes íntegros, de pais bacanas, de filhos gratos, de líderes sensíveis, de preços justos e de medos da morte. Resumidamente: é difícil ser bom num mundo mau, mas o mundo mau foi construído por nós mesmos. Nessa hora vale pedir ajuda pra Deus? Ou vale pedir que Deus cuide só dos nossos telhados e dos nossos amados porque o mundo é uma porcaria mesmo? Ou então, será que Deus ainda tem paciência com essas questões? Eu, se fosse Deus, mandaria pastar a raça humana, por termos agido todo esse tempo exatamente como quadrúpedes! Mas graças a Deus eu não sou Deus, e graças a Deus existe a Graça (um amor incondicional e imerecido que a gente pode discutir em outro post porque levaria muito tempo) e ela é uma boa razão de não sermos consumidos. Então prefiro acreditar nessa intervenção. Preciso acreditar nela! Não porque acredito que poderemos ser super-heróis, mas justamente porque a graça de Deus se manifesta quando não tivemos atos heróicos. Quando erramos e no dia seguinte levantamos pra pedir perdão. Quando roubamos e devolvemos. Quando traímos e nos arrependemos. Quando ignoramos e voltamos a olhar nos olhos. Quando duvidamos e depois obrigamos nossa alma a acreditar mais uma vez. Quando acomodamos a mente mas depois insistimos no exercício de ler, de assistir, de abrir a emoção e a visão para coisas novas. A graça não age sozinha. Sozinha, ela está pronta pra cada um de nós. Com a sua aceitação, ela está agindo, construindo novas histórias, alcançando pessoas, espalhando-se através das suas palavras, da sua presença, do seu olhar, das coisas que você faz. Ainda que sejam suas segundas tentativas. Ontem você errou? Ótimo. Hoje você teimou em acertar? Ótimo. Ninguém notou isso? Ótimo. Essa história não é sobre platéia, é sobre os que foram até o fim. Os que não mudaram pra fazer bonito, mas mudaram pra fazer a diferença. Tem uma frase na bíblia que diz “não menospreze os humildes começos” e de certa forma, é preciso humildade, mesmo, porque os começos nunca são assistidos, aprovados, aplaudidos. Nunca são um espetáculo, nunca são perfeitos. Aliás, que história os perfeitos têm pra contar, hein? Enquanto eu escrevo isso, eu peço a Deus que você não se emocione daquele jeito barato, porque isso não é roteiro de filme, é só alguém tentando te ajudar, falando de coisas reais, por mais bonitas que possam parecer, não é só beleza. É batalha.

A intervenção para que as coisas melhorem vai acontecer através de você, como pessoa, e também vai passar por Deus, que é aquela capacidade inexplicável de estarmos focados e apaixonados ao mesmo tempo. É a noção de estar fazendo bem, certo e melhor, mesmo sem as respostas imediatas que tanto sonhamos. Ele não tira de nossos ombros a responsabilidade que devemos ter como pessoa (aliás, esse texto não é sobre tirar o corpitcho fora em nome de Deus, viu religiosos?), mas eu tô falando de pessoas que erram e que ainda assim querem acertar. Estou falando de você, com a idéia de que precisa viver alguma coisa, seja ela um grande chamado, seja ela uma pequena mudança de atitude. Sua missão na Terra pode ser imensa como estar na política, nos palcos, nos jornais, ou também pode ser imensa, como estar dirigindo um taxi. As segundas chances estão disponíveis para quem deseja segundas chances. Você até pode pensar que está sozinho, mas o próprio desejo de ter uma nova chance faz com que você atraia essa característica amorosa de Deus. Ele coloca no teu interior a vontade de desejar outra vez, e aí, pode perceber, você não está tão sozinho assim. Tua vontade de recomeço não é só humana. Teu talento pra recriar e se mexer e ir atrás não é mérito apenas da força do seu braço. Tem Deus aí. E você não está sozinho. Ele sabe qual é a intenção, qual é o peso e a dor que faz você desejar a leveza e o alívio. Vou um pouco mais fundo: daqui um tempo, quando você aprender a respeitar seus erros e suas quinhentas e doze novas chances, você terá pessoas ao teu redor que serão atraídas e inspiradas pela tuas conquistas, mas enquanto isso não acontece, você também aprende a se relacionar com um Deus presente nas ausências manjadas. Quando aparentemente você precisar de apoio moral, de um amigo, de alguém. Quando você quiser ser uma pessoa melhor e o mundo não entender. Quando você entender suas responsabilidades, procurar uma chance e ainda assim o mundo não oferecer nada pra você se agarrar. Quando você for gentil mas as pessoas não quiserem olhar na sua cara. Quando você quiser amar com o corpo sim, mas também com a alma e o espírito, e as pessoas acharem isso uma idiotice, quando você quiser conversar e as pessoas preferirem ver o Faustão. Quando você quiser cavar a alma pra encontrar a água dela, e as pessoas preferirem a superfície plana e boba para fazer os castelinhos de areia. É nessa hora que a relação com o espiritual acontece. Ironicamente, quando parece que você não pertence a esse mundo que você vive.

Sim, esse mundo é injusto. Sim, algumas pessoas são idiotas. Sim, a maioria das pessoas que têm uma gota de revolução dentro da alma se sentem sozinhas e em conflitos terríveis enquanto o resto vai tomar cerveja e falar sobre o bbb. Nem todos estão salvos, nem todos estão afim, nem todos entenderam esse texto e nem todos acham que as segundas chances são presentes divinos aos Homens. Mas quando você tropeçar na 17a chance lembre-se de que somente a sua existência normal, humana, errada e eternamente carente de novos começos, pode satisfazer duas coisas que são tão distintas e tão distantes: a vontade que Deus tem de ressuscitar ou fazer coisas novas na vida das pessoas, e a vontade que o universo tem de assistir novas histórias. Seu amor pelas segundas chances dão mais graça ao mundo. Aquela graça que não é tapeação. A graça sobre a qual falaremos num próximo post. A graça de Deus.

Agora desligue esse celular um pouco. O mundo não sabe o que você tem por dentro e a chamada mais importante da sua vida não virá de ninguém, a não ser da sua própria tolerância, com você mesmo. Essa jornada é sua.

Luciana Elaiuy

Trambolhão

Posted by umpontoum On December - 8 - 20116 COMMENTS

Quando eu tinha 6 anos de idade levei um trambolhão na praia de Ubatuba e foi a primeira vez que senti medo de morrer. Quando você tem 6 anos de idade, as coisas são muito grandes. Um tombo é questão de vida ou morte, e se você está no mar, com 25 quilos e muita distração, esteja preparado para um maremoto que pode afundar sua história em 30 segundos. Eu fiquei tão assustada com a onda que me pegou que acabei me desesperando sem saber onde estava o chão, o ar, a praia e o guarda sol. Meu corpo simplesmente foi sacudido dentro daquela água violenta e eu senti tanto medo que não consegui nem chorar.

Mas esse texto não é sobre o mar. E não vou falar sobre o hit “Jesus andando sobre as águas”. Vou falar sobre algumas coisas que passamos e sentimos, mesmo depois dos 6 anos de idade.

Aquele dia na praia eu tive medo de morrer, mas a maior memória não foi essa. A marca que aquele dia deixou em mim foi, graças à minha mãe, uma completa sensação de segurança e descanso. Porque depois do trambolhão, do susto, do frio, do cotovelo ralado e da areia no biquini (e no cabelo e nos olhos e na boca e na testa..), minha mãe me lavou com água doce. Me enrolou numa toalha. Fez a “caminha” mais deliciosa em que uma garotinha exausta poderia dormir, e só porque eu descobri que não morri, a vida sorriu de volta pra mim. Eu estava bem. Eu estava com a minha mãe. Eu estava salva, de frente para aquele mar que minutos antes tentou me engolir. E agora, do auge da minha experiência e autoridade infantil, eu mirava o mar e debochava das ondas! Eu me lembro de rir daquelas ondas idiotas porque eu estava segura. Aquele dia eu venci o mar e essa experiência anda comigo até hoje.

Mas você não tem 6 anos de idade. Eu sei. E você talvez nem tenha mãe. Eu sei. E talvez você seja um mergulhador excelente e não tenha histórias fofinhas sobre caudos e caminhas, como eu. Eu sei. Mas você tem histórias, certo? E também tem sustos, certo? E tem coisas que com certeza viveu ha décadas atrás que marcam você até hoje, certo? Todo mundo tem. Nós somos produto das coisas que aconteceram conosco. Ninguém muda o passado. Fique milionário, mude de país, fale outra língua, sua história ainda é sua. O passado não muda. Anda preso nos teus passos. Se você tem medo de alguma coisa hoje em dia, pode ver, deve ter uma explicação lógica no seu passado. Certo. Freud explica. Mas onde Deus se meteu quando alguma coisa se quebrou no seu passado? Onde Deus se enfiou enquanto a vida sacodia seu corpo em águas violentas, ao ponto de você não conseguir nem chorar de tanto susto e medo? Você já se perguntou se não é uma tremenda palhaçada Deus oferecer um futuro legal pra você, sendo que ele poderia ter chegado antes e evitado um passado desastroso? Não seria mais inteligente, Altíssimo Deus? Afinal, quem precisa de frustrações? Quem precisa de erros acumulados em noites em claro, rugas, traumas e sessões de análise? Eu já pensei isso. Já me senti enganada pela minha própria história. Pelo tempo atrapalhado em que as coisas acontecem. Já senti raiva de algumas memórias. E já falei pra Deus, super na boa, sem ressentimento mas com uma certa curiosidade: “Deus, por que teve que ser assim comigo?” ou “Todo mundo vive as coisas bonitinho, e por que na minha vida é tudo mais difícil?”

E é aqui que algumas coisas começam a ficar loucas e ao mesmo tempo muito claras.

Jesus nasceu em condições complicadas. Não tinha casa, não tinha plano de saúde, não tinha nem pai, se você for pensar. Fora isso, na época em que ele nasceu rolava uma perseguição e todos os meninos estavam sendo mortos. Não foi fácil, mas ainda assim as coisas se ajeitaram. Ele nasceu numa noite estrelada, ganhou ouro, mirra, incenso, visita de reis, e daí pra frente deu tudo certo. É, deu. Até certo ponto.

Todo mundo reclama do passado. Todo mundo quer esquecer alguma coisa do passado. Mas você já reparou que na vida de Jesus, o pior estava pra acontecer justamente no futuro? Ele teve perrengues na infância, mas diante do futuro que o aguardava, ele não poderia de jeito nenhum reclamar dos primeiros anos de vida. Todo mundo concorda: nascer numa manjedoura é luxo comparado a morrer numa cruz.

E o que significa tudo isso? Que você e Jesus se desencontraram no tempo? Não. Significa que por pior que tenha sido a sua história e o seu trambolhão, você ainda tem uma vida, e por isso, tem a possibilidade e a esperança de um dia poder debochar das ondas. Mas isso só é possível porque em algum momento, no meio dessa história, entre passado e futuro, alguém te salvou. Alguém te lavou com água doce, enrolou você numa toalha, preparou tua cama. Não sei se você vai entender isso, mas mesmo assim eu vou escrever:

O único ser capaz de mudar a ordem das coisas na sua vida, é Deus. Por que? Porque Deus é o único que não está nem aí para a ordem das coisas! Porque enquanto nós nos aplicamos em nos proteger das consequências das coisas, enquanto tentamos dominar nosso tempo e nossa história, enquanto tentamos educar nossos medos com livros, filosofias e bons vinhos, e tentamos organizar a agenda como se pudéssemos organizar a alma, enquanto tentamos controlar nossas dores e decepções, Jesus se apresenta como um louco, indo contra a lógica, se entregando à uma condição que ninguém deseja, por mais desprendido que seja. Ele aparece se jogando no trambolhão, de propósito. Mudo, obediente à alguma coisa que pra sempre será um mistério e que é traduzido humanamente como amor. Ele andou por aqui, falou sábias palavras, amou inimigos, deu a outra face, conseguiu fazer coisas que tentamos fazer com muita meditação e concentração, mas no final, pra que ele fez tudo isso? Pra morrer numa cruz? Que frustração! Jogou fora toda moral, sabedoria, beleza e energia boa. Jesus era louco a esse ponto? É. Louco por você. Louco para que você perceba que os novos dias estão só começando, porque os dias de trambolhão sem carinho da mamãe, ele já viveu.

Agora aqui, parêntese:

(Entre nós. Jesus não precisava morrer na cruz, né? Ele até falou “se puder, afasta de mim esse cálice”. Ele não era trouxa. O fato de ir calado para aquela cruz fez o mundo achar que ele era um tonto, mas depois, não é de se estranhar esse silêncio? Como alguém aceita uma coisa sem nada em troca? Morreu por morrer? Nem uma grande frase final, pra fechar com chave de ouro? Não. A última frase de Jesus foi “Deus, por que você me abandonou?” Foi a frase mais humana do mundo! Quem nunca falou isso? Mas aí, depois de falar isso, ele morreu. Ninguém foi lá salvá-lo. E hoje, depois de você falar isso, você pode ter uma resposta que prove que Deus não te abandonou. Você pode ouvir Deus falando com você através de um blog, por exemplo. Ou de uma música, ou de uma bailarina, ou através de uma paz, ou através de uma memória, de você com 6 anos em Ubatuba. Jesus morreu para que as outras coisas tivessem vida. Para que a presença divina que existia dentro dele, pudesse viver através de outras coisas. Outras pessoas. Outras mídias, formatos, linguagens. Inclusive, através das suas lembranças!)

Então a situação é essa:
Com o passar do tempo, nós tentamos ficar mais espertos. Sabidos ou sábios, malandros ou macios. Precavidos ou preparados. Nós queremos melhorar, queremos evitar trambolhões. Ninguém quer viver com 6 anos de idade a vida toda. Nós queremos algum dia poder olhar com moral para o mar. E rir na cara do que nos assusta.

Mas Jesus, com o passar do tempo, só se mostrou um cara atemporal. Cada vez mais entregue, cada vez mais decidido a entrar no mar nervoso, e se jogar nas ondas para que você entenda que o tempo não é senhor de nada. Jesus é que é. E que as más lembranças não decidem histórias inteiras, porque a história pode ser transformada. Porque você pode ter uma experiência com um Deus que viveu os dois lados, os dois tempos, e isso, calendário, maré, história ou religião nenhuma podem fornecer à sua alma.

Não culpe o seu passado. Ele faz parte de uma história, assim como o futuro. É o fato contra a fé. O fato oferece experiências. A fé, esperanças. Não esqueça que a fé muda histórias. Não esqueça que Jesus ressucitou.

Você aprende com os trambolhões do passado. Deus frustra o futuro, agindo sem medo e sem limites. E a sua experiência e entrega espiritual íntima, pessoal, mais humana do que nunca, acontece agora, no presente.
Seja lá qual for a sua idade.

Luciana Elaiuy

*A foto é do incrível artista japonês Hokusai.

Don’t be a bully. LOSER.

Posted by umpontoum On November - 26 - 2011ADD COMMENTS

Todo mundo já ouviu falar de Bullying, óbvio. Mas aqui vai um esclarecimento que, além de social, é espiritual: a palavra bully, em inglês, significa “valentão”. Sim, é o termo usado para essas pessoas que acham que são isso, dizem que são isso, e que realmente acreditam que o que fazem é uma valentia. Bem, todo mundo sabe que nisso não há valentia alguma, e que, portanto, a pessoa que se coloca nessa deve ser bem afeiçoada a mentira. A mentira coxixa no ouvido de alguns, dizendo que são feios, burros, incapazes. E também coxixa no ouvido de outros, dizendo que são valentões e que por isso têm um direito maior a qualquer coisa. As duas coisas são mentiras. Os dois tipos de pessoas precisam de amor.

Pense numa coisa: em nada difere a história que você ouviu sobre uma criança que foi excessivamente zuada. E a história que alguém te contou, como se fosse o máximo, sobre uma coisa que fez e que de certa forma humilhou outra pessoa. O bullying muitas vezes acontece sem ninguém ver, sem ninguém saber. Fica por anos, ou até mesmo uma vida toda, dentro do coração de alguém, até virar coisa pior como uma depressão que dura toda a vida e não só toda a noite. Mas sabe de uma coisa? O bullying muitas vezes é contado na mesa de um bar, vem em forma de história engraçada e todos os seus amigos dão risada. Inclusive você, valentão.

E todos os tipos de pessoa precisam de amor.
É o peteleco mais doído que a maldade pode receber.

Luciana Elaiuy

Agora assista, insista e sinta: Losers | by Everynone.

SEU JORGE and ALMAZ – Água Viva [LIVE IN SÃO PAULO]

Posted by umpontoum On November - 16 - 20111 COMMENT

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