Trambolhão

Posted by umpontoum On December - 8 - 20116 COMMENTS

Quando eu tinha 6 anos de idade levei um trambolhão na praia de Ubatuba e foi a primeira vez que senti medo de morrer. Quando você tem 6 anos de idade, as coisas são muito grandes. Um tombo é questão de vida ou morte, e se você está no mar, com 25 quilos e muita distração, esteja preparado para um maremoto que pode afundar sua história em 30 segundos. Eu fiquei tão assustada com a onda que me pegou que acabei me desesperando sem saber onde estava o chão, o ar, a praia e o guarda sol. Meu corpo simplesmente foi sacudido dentro daquela água violenta e eu senti tanto medo que não consegui nem chorar.

Mas esse texto não é sobre o mar. E não vou falar sobre o hit “Jesus andando sobre as águas”. Vou falar sobre algumas coisas que passamos e sentimos, mesmo depois dos 6 anos de idade.

Aquele dia na praia eu tive medo de morrer, mas a maior memória não foi essa. A marca que aquele dia deixou em mim foi, graças à minha mãe, uma completa sensação de segurança e descanso. Porque depois do trambolhão, do susto, do frio, do cotovelo ralado e da areia no biquini (e no cabelo e nos olhos e na boca e na testa..), minha mãe me lavou com água doce. Me enrolou numa toalha. Fez a “caminha” mais deliciosa em que uma garotinha exausta poderia dormir, e só porque eu descobri que não morri, a vida sorriu de volta pra mim. Eu estava bem. Eu estava com a minha mãe. Eu estava salva, de frente para aquele mar que minutos antes tentou me engolir. E agora, do auge da minha experiência e autoridade infantil, eu mirava o mar e debochava das ondas! Eu me lembro de rir daquelas ondas idiotas porque eu estava segura. Aquele dia eu venci o mar e essa experiência anda comigo até hoje.

Mas você não tem 6 anos de idade. Eu sei. E você talvez nem tenha mãe. Eu sei. E talvez você seja um mergulhador excelente e não tenha histórias fofinhas sobre caudos e caminhas, como eu. Eu sei. Mas você tem histórias, certo? E também tem sustos, certo? E tem coisas que com certeza viveu ha décadas atrás que marcam você até hoje, certo? Todo mundo tem. Nós somos produto das coisas que aconteceram conosco. Ninguém muda o passado. Fique milionário, mude de país, fale outra língua, sua história ainda é sua. O passado não muda. Anda preso nos teus passos. Se você tem medo de alguma coisa hoje em dia, pode ver, deve ter uma explicação lógica no seu passado. Certo. Freud explica. Mas onde Deus se meteu quando alguma coisa se quebrou no seu passado? Onde Deus se enfiou enquanto a vida sacodia seu corpo em águas violentas, ao ponto de você não conseguir nem chorar de tanto susto e medo? Você já se perguntou se não é uma tremenda palhaçada Deus oferecer um futuro legal pra você, sendo que ele poderia ter chegado antes e evitado um passado desastroso? Não seria mais inteligente, Altíssimo Deus? Afinal, quem precisa de frustrações? Quem precisa de erros acumulados em noites em claro, rugas, traumas e sessões de análise? Eu já pensei isso. Já me senti enganada pela minha própria história. Pelo tempo atrapalhado em que as coisas acontecem. Já senti raiva de algumas memórias. E já falei pra Deus, super na boa, sem ressentimento mas com uma certa curiosidade: “Deus, por que teve que ser assim comigo?” ou “Todo mundo vive as coisas bonitinho, e por que na minha vida é tudo mais difícil?”

E é aqui que algumas coisas começam a ficar loucas e ao mesmo tempo muito claras.

Jesus nasceu em condições complicadas. Não tinha casa, não tinha plano de saúde, não tinha nem pai, se você for pensar. Fora isso, na época em que ele nasceu rolava uma perseguição e todos os meninos estavam sendo mortos. Não foi fácil, mas ainda assim as coisas se ajeitaram. Ele nasceu numa noite estrelada, ganhou ouro, mirra, incenso, visita de reis, e daí pra frente deu tudo certo. É, deu. Até certo ponto.

Todo mundo reclama do passado. Todo mundo quer esquecer alguma coisa do passado. Mas você já reparou que na vida de Jesus, o pior estava pra acontecer justamente no futuro? Ele teve perrengues na infância, mas diante do futuro que o aguardava, ele não poderia de jeito nenhum reclamar dos primeiros anos de vida. Todo mundo concorda: nascer numa manjedoura é luxo comparado a morrer numa cruz.

E o que significa tudo isso? Que você e Jesus se desencontraram no tempo? Não. Significa que por pior que tenha sido a sua história e o seu trambolhão, você ainda tem uma vida, e por isso, tem a possibilidade e a esperança de um dia poder debochar das ondas. Mas isso só é possível porque em algum momento, no meio dessa história, entre passado e futuro, alguém te salvou. Alguém te lavou com água doce, enrolou você numa toalha, preparou tua cama. Não sei se você vai entender isso, mas mesmo assim eu vou escrever:

O único ser capaz de mudar a ordem das coisas na sua vida, é Deus. Por que? Porque Deus é o único que não está nem aí para a ordem das coisas! Porque enquanto nós nos aplicamos em nos proteger das consequências das coisas, enquanto tentamos dominar nosso tempo e nossa história, enquanto tentamos educar nossos medos com livros, filosofias e bons vinhos, e tentamos organizar a agenda como se pudéssemos organizar a alma, enquanto tentamos controlar nossas dores e decepções, Jesus se apresenta como um louco, indo contra a lógica, se entregando à uma condição que ninguém deseja, por mais desprendido que seja. Ele aparece se jogando no trambolhão, de propósito. Mudo, obediente à alguma coisa que pra sempre será um mistério e que é traduzido humanamente como amor. Ele andou por aqui, falou sábias palavras, amou inimigos, deu a outra face, conseguiu fazer coisas que tentamos fazer com muita meditação e concentração, mas no final, pra que ele fez tudo isso? Pra morrer numa cruz? Que frustração! Jogou fora toda moral, sabedoria, beleza e energia boa. Jesus era louco a esse ponto? É. Louco por você. Louco para que você perceba que os novos dias estão só começando, porque os dias de trambolhão sem carinho da mamãe, ele já viveu.

Agora aqui, parêntese:

(Entre nós. Jesus não precisava morrer na cruz, né? Ele até falou “se puder, afasta de mim esse cálice”. Ele não era trouxa. O fato de ir calado para aquela cruz fez o mundo achar que ele era um tonto, mas depois, não é de se estranhar esse silêncio? Como alguém aceita uma coisa sem nada em troca? Morreu por morrer? Nem uma grande frase final, pra fechar com chave de ouro? Não. A última frase de Jesus foi “Deus, por que você me abandonou?” Foi a frase mais humana do mundo! Quem nunca falou isso? Mas aí, depois de falar isso, ele morreu. Ninguém foi lá salvá-lo. E hoje, depois de você falar isso, você pode ter uma resposta que prove que Deus não te abandonou. Você pode ouvir Deus falando com você através de um blog, por exemplo. Ou de uma música, ou de uma bailarina, ou através de uma paz, ou através de uma memória, de você com 6 anos em Ubatuba. Jesus morreu para que as outras coisas tivessem vida. Para que a presença divina que existia dentro dele, pudesse viver através de outras coisas. Outras pessoas. Outras mídias, formatos, linguagens. Inclusive, através das suas lembranças!)

Então a situação é essa:
Com o passar do tempo, nós tentamos ficar mais espertos. Sabidos ou sábios, malandros ou macios. Precavidos ou preparados. Nós queremos melhorar, queremos evitar trambolhões. Ninguém quer viver com 6 anos de idade a vida toda. Nós queremos algum dia poder olhar com moral para o mar. E rir na cara do que nos assusta.

Mas Jesus, com o passar do tempo, só se mostrou um cara atemporal. Cada vez mais entregue, cada vez mais decidido a entrar no mar nervoso, e se jogar nas ondas para que você entenda que o tempo não é senhor de nada. Jesus é que é. E que as más lembranças não decidem histórias inteiras, porque a história pode ser transformada. Porque você pode ter uma experiência com um Deus que viveu os dois lados, os dois tempos, e isso, calendário, maré, história ou religião nenhuma podem fornecer à sua alma.

Não culpe o seu passado. Ele faz parte de uma história, assim como o futuro. É o fato contra a fé. O fato oferece experiências. A fé, esperanças. Não esqueça que a fé muda histórias. Não esqueça que Jesus ressucitou.

Você aprende com os trambolhões do passado. Deus frustra o futuro, agindo sem medo e sem limites. E a sua experiência e entrega espiritual íntima, pessoal, mais humana do que nunca, acontece agora, no presente.
Seja lá qual for a sua idade.

Luciana Elaiuy

*A foto é do incrível artista japonês Hokusai.

Don’t be a bully. LOSER.

Posted by umpontoum On November - 26 - 2011ADD COMMENTS

Todo mundo já ouviu falar de Bullying, óbvio. Mas aqui vai um esclarecimento que, além de social, é espiritual: a palavra bully, em inglês, significa “valentão”. Sim, é o termo usado para essas pessoas que acham que são isso, dizem que são isso, e que realmente acreditam que o que fazem é uma valentia. Bem, todo mundo sabe que nisso não há valentia alguma, e que, portanto, a pessoa que se coloca nessa deve ser bem afeiçoada a mentira. A mentira coxixa no ouvido de alguns, dizendo que são feios, burros, incapazes. E também coxixa no ouvido de outros, dizendo que são valentões e que por isso têm um direito maior a qualquer coisa. As duas coisas são mentiras. Os dois tipos de pessoas precisam de amor.

Pense numa coisa: em nada difere a história que você ouviu sobre uma criança que foi excessivamente zuada. E a história que alguém te contou, como se fosse o máximo, sobre uma coisa que fez e que de certa forma humilhou outra pessoa. O bullying muitas vezes acontece sem ninguém ver, sem ninguém saber. Fica por anos, ou até mesmo uma vida toda, dentro do coração de alguém, até virar coisa pior como uma depressão que dura toda a vida e não só toda a noite. Mas sabe de uma coisa? O bullying muitas vezes é contado na mesa de um bar, vem em forma de história engraçada e todos os seus amigos dão risada. Inclusive você, valentão.

E todos os tipos de pessoa precisam de amor.
É o peteleco mais doído que a maldade pode receber.

Luciana Elaiuy

Agora assista, insista e sinta: Losers | by Everynone.

SEU JORGE and ALMAZ – Água Viva [LIVE IN SÃO PAULO]

Posted by umpontoum On November - 16 - 20111 COMMENT

Você está aqui.

Posted by umpontoum On November - 9 - 20117 COMMENTS

-Sabe a história do cego curado?
-Sei, claro.
-Bonita, né?
-Linda, mesmo.
-É. Também acho. Mas e quando você não quer ver o mundo e nem as pessoas e nem o cenário ao seu redor? E quando é mais fácil ser cego?

Hm.. essa é difícil.

-E a história do paralítico, tá lembrado?
-Opa, paralítico curado, lembro sim! Foi um milagre!
-Foi sim. Mas e quando você não quer se movimentar? E quando você não quer ir a lugar nenhum? E quando você quer sentar quieto e ver a vida e o mundo passar na frente do seu nariz?

Hm.. essa é difícil.

-E o mar, hein? O mar vermelho. Coisa colossal, né não!?
-Pô, o mar vermelho! Deu até filme, né?
-É, deu.. Mas e quando você correu tanto, fugiu tanto, que não quer uma intervenção divina, e prefere afundar? E quando você tá na frente do marzão e o impulso é mergulhar bem fundo, se afogar mesmo, até o mundo ficar em silêncio, e você descobrir outro mundo lá embaixo? Como é que fica quando você prefere o descaso ao milagre?

Hm.. essa é difícil.

Sempre me intrigou uma coisa em Jesus. Ele curou muita gente, mas não pediu pra todos irem com ele, após a cura. Jesus tocou nas pessoas, conversou com elas, algumas delas pegaram suas trouxinhas e se mandaram com aquele cara que curava tudo e todos. Alguns não quiseram seguir Jesus, ok, cada um cada um, mas e aqueles pra quem Jesus não pediu nada, a não ser “vai em paz” ou “vai e não faça mais besteiras”.. As vezes a religiosidade faz a gente pensar que isso é uma coisa horrível de se dizer, né? Afinal, só teve história pra contar os que mudaram completamente de vida e seguiram Jesus.

Será?

O fato de Jesus não ter chamado todos para o seguir, tem uma razão de ser. Claro que tem.
Primeiro, ninguém é igual a ninguém. Segundo, Jesus não veio criar um clube. Terceiro, o mundo, a vida, a terra, as pessoas, precisam que outras pessoas ocupem-se de coisas diferentes. Quarto, depois que você tem uma experiência com Deus, a experiência anda com você, onde quer que você vá. Quinto, não há história melhor contada do que um testemunho diário, de fatos reais, que comprovem o que antes eram só palavras. Quer dizer, você já pensou se todos os cegos seguissem Jesus estrada afora? Quem é que acreditaria na história da cura, se todos os curado estivessem no mesmo lugar?

Isso nos leva a um outro lance:

A sua experiência espiritual existe com um destino. Mesmo se o destino for o de ficar onde você está. Nem todos são pastores, nem todos são missionários, nem todos são velozes, nem todos falam inglês, nem todos gostam de viver na estrada, nem todos têm facilidade em ficar longe de casa. Você acha que o amor de Deus pelas pessoas muda de acordo com o que elas estão fazendo com suas experiências espirituais?

Sabe, alguns estão pregando. Outros, estão sendo bons profissionais. Uns estão escrevendo blogs, outros estão andando de skate. Uns estão fazedo teologia, escola dominical, estão orando três vezes ao dia, estão jejuando, orando nos hospitais, orando de madrugada. E outros estão sentindo Deus da mesma forma, enquanto andam de avião pela primeira vez. Enquanto têm uma idéia genial, enquanto ensaiam apresentações para reuniões importantes, enquanto estudam, casam-se, lêem um livro, assistem a um culto no meio de mil pessoas, todas desconhecidas para ele.

O que você está fazendo, não é o que te define pro completo. Mas a sua experiência de cura, salvação e restauração, precisa utilizar-se do que você está fazendo. Seja o que for.
É por isso que Jesus não chamou todo mundo pra andar com ele, e ainda assim, tantos sentiram-se escolhidos, acolhidos, amados, curados, sentiram-se especiais. Jesus nunca estipulou uma regra. As vezes ele deixou que os feridos se chegassem à ele, e outras vezes ele foi em direção aos feridos. Houve dia em que Jesus disse “Me segue” e outro dia ele disse “Venha à mim, e de forma alguma você vai sair sem nada” Ou seja, Jesus sabia que precisaria dar coisas à pessoas, para que elas não fossem embora sem nada. Ele sabia que nem todos iriam com eles, porque ele já sabia uma coisa que nós lutamos todos os dias para saber: ninguém é igual a ninguém, e ao mesmo tempo é exatamente isso que faz de nós, seres iguais, ninguém melhor que ninguém. Deus é para todos, precisa de todos, mas precisa que todos estejam em todos os lugares.

Então quando a questão ficar difícil, não esquece:

1- Se você era cego e não quer enxergar as coisas ao seu redor, lembre-se que essa é a única escolha que você não pode fazer. Deus te deu visão das coisas e isso muitas vezes faz você sofrer. Enxergamos a sacanagem, o desrespeito, a injustiça, a malandragem, a mentira. E se você quer saber, continuaremos vendo essas coisas. Mas vez ou outra, como um bálsamo para nossos olhos cansados, aparece alguém procurando por você. Alguém que precisa ver um milagre vivo, um milagre que tenha resistido à toda meleca dos dias de hoje. E aí você vai olhar nos olhos dessa pessoa e dizer que não é mais cego. E a pessoa que te ouvir, ainda que não entenda, vai ter certeza de que Deus existe, de que coisas maiores existem, e você será a prova de que ainda existe verdade no mundo. Você será a prova da verdade. É possível não estar em todas as cidades que Jesus está, e ainda assim, ser portador de Jesus. É possível ser um anônimo cheio de Deus. Uma pessoa comum com um segredo espiritual dentro do coração: você não é mais o mesmo. Ainda que a rotina, a vida, a família e a vizinhança sejam. Você enxerga as coisas como são. E nada é como antes. Nada.

2- Se você era um paralítico mas depois de um tempo não tem a menor vontade de ficar de pé, lembre-se que o maior movimento já aconteceu dentro de você, e que é tarde demais porque você sabe andar. Você sabe correr. Você sabe ir atrás das coisas. Ainda que você negue, isso é uma capacidade que vem de Deus. Muitas vezes, andar no meio desses buracos, implica em cair, e implica em se machucar, e implica em se cansar. Mas um dia, como um impulso que nos faz andar mais depressa, aparece alguém afim de dar os primeiros passos, e esse alguém vê em você inspiração para ousar. Inspiração para acreitar que tem jeito. Inspiração para esticar-se. Nessa hora, você vai entender porque foi curado, porque está de pé, porque é importante manter sua fé inabalável, porque o equilíbrio, apesar de um pouco chato, faz sentido e faz valer as verdade espirituais. Só quem está de pé pode ajudar quem caiu. Um caído não levanta outro caído. Um paralítico curado, ainda que cansado de alguns caminhos, não pode sentar-se pra sempre. Justamente porque sentar-se pra sempre é coisa de quem não é curado. E você foi curado, lembra? Um dia você aprendeu um caminho.

3- Se você está planejando afundar-se na situação ao invés de ver algo extraordinário nela, lembre-se que Deus não é limitado. Que é possível fugir por um milagre e não por um medo. Aquela história do mar vermelho é sobre isso. Não é sobre água, é sobre escape, possibilidade, criatividade, fé. Geralmente quem acredita nessas coisas, vive pressionado por um exército de chatos que vem logo atrás, te empurrando pra água, te fazendo apelar para o desespero. Mas um dia, como um milagre improvável, indizível e inacreditável, o mar se abre. Um telefone toca, uma pessoa manda um email, um novo amor acontece, um dinheiro entra e se não entrar, uma paz entra, ou um conselho aparece, ou Deus fala com você através da pessoa certa, na hora certa, no lugar certo. E você, por mais agitado, desesperado que esteja, precisa acreditar que esse caminho vai se abrir. Porque quando você chegar do outro lado, a sua missão de ser o louco que acredita no que ninguém acredita, vai continuar. Dessa vez, com um pouco mais de respeito, afinal, você atravessou a seco.

Esse texto é para quem tem Deus mas ainda não vive no céu. Pra você que sabe que ele passou por você, tocou em você, mas curiosamente, não pediu para que você abandonasse sua cidade, seu emprego, seus planos sinceros para o seguir. É pra você que sabe que chamado e missão é, a difícil tarefa de continuar sua história. Agora, com marcas sobrenaturais que ajudam a contar quem você é nesse mundo complicadinho. É para quem está aqui e pretende ficar um pouco mais.

Luciana Elaiuy

#37

Posted by umpontoum On October - 18 - 20111 COMMENT

Primeiros socorros.

Posted by umpontoum On October - 15 - 20115 COMMENTS

Não vá ver quem te faz mal.
Não faça tudo por dinheiro.
Leia Rob Bell.
Ouça “the cure for the pain” – Jon Foreman.
Durma.
Respire.
Coma salada.
Corra sem marcar o tempo.
Faça as unhas.
Escreva cartas pra Deus.
Faça uma oração só com agradecimentos.
Dê alguma coisa sua para alguém.
Perdoe-se.
Perdoe-se.
Perdoe-se.
Perdoe-se.
Vá para praia.
Tente entender a diferença entre estar sozinho e afastar-se.
Ofereça seu dia para um amigo que está só.
Tente entender a diferença entre Deus e todo o resto que falam sobre Deus.
Pense no que o sangue de Jesus Cristo pode fazer na sua vida.
O tópico acima requer que você não seja preguiçoso.
Esqueça alguns sonhos. Nem tudo é sonho.
Aceite que você pode ser uma pessoa possuída pela presença divina.
Leia algumas coisas em voz alta.
Desabafe com alguém. Sozinho toda vez não é legal.
Ore por quem você está pensando.
Ore quando ver uma ambulância.
Ore pela sua família.
Acredite no mal, mas não vai pensando que é tudo demônio.
Ore com as suas palavras, não com as do pastor.
Faça alguma coisa com o que você faz bem.
Entenda a hora de sossegar.
Entenda a hora de não se conformar.
Entenda que nem tudo você vai entender.
Olhe o mundo ao redor para não exagerar com o que se passa dentro do seu.
Faça um favor.
Não tenha medo de amanhã cedo.
Não tenha vergonha da verdade.
Desconecte.
Seja luz
Seja sal
Seja você, versão original.

umpontoum

A parada da cruz.

Posted by umpontoum On October - 7 - 20118 COMMENTS

Agora mesmo. Você está fazendo o que não deveria? Agora mesmo. Você está fugindo e deveria voltar? Agora mesmo. Você tem ódio? Tem uma série de sentimentos involuntários que não são exatamente a coisa mais linda que sua alma já produziu? Não devia, mas julgou? Não queria, mas falou? Não podia, mas estragou? Não sabia e perdeu? Não acredita, mas traiu? Não concorda, mas consentiu? Quer fazer o bem mas só consegue fazer o mal?

Pois bem.
Agora mesmo:

Enquanto você está sentado no centro dos seus erros e dos seus enganos e das suas faltas, existe uma constância te assistindo. Agora mesmo, enquanto todas as pessoas do universo têm uma palavra pra te falar mas nenhuma delas resolve alguma coisa, existe um silêncio mais presente que um milhão de livros de auto ajuda ou de canções bonitas. Agora mesmo, enquanto tudo nasce e morre e o mundo não respeita a sua dor porque o trabalho, a fome, a carência e a vaidade dos Homens são mais fortes do que tudo, existe uma outra força, que não precisa provar-se forte porque isso é coisa de fraco, segurando alguns alicerces para que o mundo não caia na sua cabeça. Agora mesmo, enquanto você cospe decepções e deixa escapar incompreensões e ninguém consegue entender o quanto isso é sério pra você, existe uma tensão positiva, que é Deus, ligado na tua dor e ao mesmo tempo ligado em virtudes que são exatamente o que falta no seu coração nesse exato momento. Agora mesmo, sem pressa, sem ultrapassar ou atrasar o momento que você está vivendo, agora mesmo, sem julgamento ou preconceito ou opinião ou desrespeito, um amor continua existindo, imóvel, permanente, contínuo, exposto, parado. Como se soubesse uma coisa que ninguém sabe. Como se não precisasse ir a lugar algum pra conhercer tudo o que você é. Dizem que isso é Deus. Uma força maior e mais absoluta que o oxigênio. Uma certeza simples de que tem algo além de nós.

Eu penso muito em Jesus na cruz. Não tanto na cena, mas no conteúdo espiritual do que isso representa na vida de uma pessoa. Tanto na pessoa de Deus, mais conhecido como Jesus, como em nós, pessoinhas confusas por ter muitas ou por não ter nenhuma causa. Gosto de pensar nisso da cruz porque acredito que as verdades mais absolutas estão resumidas nela. Em cada detalhe minúsculo de entrega e amor, porque a verdade resume-se à isso: amor e entrega. E também gosto de pensar nisso porque é um desafio pra toda alma vivente e inquieta, ter que se deparar com uma realidade tão absurda como a dele na cruz. Mas não tô falando da imagem manjada. Tô falando da atitude. Pensa nisso: Ele era o movimento entre as pessoas, o assunto nas ruas, as palavras simples em tempos de muitas questões e, ainda assim, ousou permitir-se morrer. Ousou não responder afrontas, ousou bastar-se e resumir-se à entrega. Jesus ofereceu-se para o que amava e ponto final. Nem perguntou se o amariam de volta. Não há nada tão poderoso quanto isso.

(Pausa: Se você não gosta do que eu escrevo nesse blog e acha que é mais um bla bla blá sobre um Jesus incapaz, não precisa continuar lendo. Tchau. Mas se você acha intrigante o fato dele não ter descido da cruz e nem do salto, e acha que existe alguma poesia ou lição nisso, então bem vindo aos parágrafos seguintes):

Eu e você vivemos num mundo que não pára, não ouve, não ama, não entende, não ajuda, não respira, não abraça, não espera, não respeita, não olha no olho, não é sincero. Já reparou como tudo é rápido e passa atropelando? Dias atrás uma das pessoas que eu mais amo sofreu uma perda irreparável. Eu peguei o meu carro e fui encontrá-la. A palavra que resumiu o que eu sentia é curta e pesada: “dor”. E enquanto eu corria dentro do meu carro, eu assistia um mundo indiferente à qualquer coisa que eu sentia. As pessoas do trabalho continuavam a ligar, os motoboys loucos continuavam costurando o trânsito, as rádios continuavam tocando música fraca, a poluição e a zona continuavam bombando porque o mundo não dá o menor sinal de respeito à nossa dor. O mundo não sabe lidar com a dor. A vida não erra, mas o mundo sempre borra, quebra, esbarra, trinca. O mundo sempre procura um jeito de estragar a delicadeza da vida.

Será que não é por isso que Jesus precisou ficar parado lá naquela cruz doída e doida? Será que não é por isso que essa cena chega a perturbar um pouco? Será que aquela exposição toda não significa alguma coisa? Será que o oba oba da ressurreição de domingo não seria mais sincero se nós parássemos alguns instantes pra entender o que aconteceu naquele sábado silencioso e morto?

A bíblia diz que as pessoas voltaram para casa. A bíblia diz que a coisa toda ficou muito estranha. E cada um de nós, se estivéssemos lá, não diríamos nada. Sentiríamos um grande vazio porque uma falta de Deus se espalhou pela Terra. Bom, a bíblia diz de uma forma simples e prática que o céu escureceu no meio do dia.

Então a cena é essa:
De um lado nós: pecadores meio perdidos, vivendo um dia escuro, procurando nosso próprio teto para esconder as vergonhas, as dúvidas e os medos. Pessoa boas tentando acertar, mas errando muito. Pessoas buscando por Deus, ou uma resposta, ou uma luz, mas o que rola é sempre essa sensação de que Deus está meio morto.

De outro lado, nós vemos Jesus. Um forte candidato a salvador, não fosse aquela cara cansada e aquele corpo fraco. Ele poderia ser a solução da sua vida, mas simplesmente ele não tem cara de solução, né? Ele poderia ser a sua escolha espiritual, mas ele simplesmente incomoda a sua visão com essa impotência, esses machucados, esse sangue e essa humanidade irritante que tudo ama, tudo aceita e nada interroga?

Veja, se você procura um Deus aparentemente limpinho, que entenda os teus erros e não os erros dos outros, que ame você com os seus defeitos, mas que não se relacione com pessoas que têm pecados “piores” do que os seus, então você não conhece Deus. Você conhece a lei dos Homens. Você pode estar procurando um pastor, um guru, um monge, uma reunião semanal, uma filosofia pronta, um livro, uma religião, um rito, e nesse caso, você não precisa muito de redenção. Talvez você precise só de distração e conteúdo intelectual.
Mas se você enxerga que ele foi incansável para aquela cruz, e a despeito de opiniões não estava nem aí para as aparências, então a verdadeira obra espiritual começou dentro de você, e a sua fé não é um slogan.

Jesus precisava frustrar a estética. Jesus precisava ficar feio. Jesus precisava sangrar, descabelar, trair os valores estipulados. Jesus precisava morrer de tanto amor, precisava ressuscitar de tanta saudade, mas por amor à nós, ainda que nós nunca entendamos isso, ele precisava ficar parado naquela cruz, ser a imagem que incomoda os apressados. Ser a figura que não desce na cruz, para todos aqueles que não conseguem não descer da cruz. Ele precisava ser a dor da entrega, para que os que nunca se abrem possam ter um exemplo de como é, e quem sabe, abrirem os braços para alguém. Jesus precisava passar um dia sem dizer nada, sem curar um cego, sem ter cara de Deus, porque nós precisamos de uma pista de que o espiritual e o humano podem andar juntos.

Então o texto termina com algumas perguntas: será que Jesus quieto não é exatamente a melhor forma que Deus encontrou pra nos dizer que enquanto todo mundo passa por cima das nossas dores, existe um que espera e nos assiste? Será que o sangue, o corte e o prego não servem para que você encontre um caminho para Deus todas as vezes que alguém pisar no seu calo, cortar seu coração e furar os planos que você tinha na palma das tuas mãos? Será que ele lá pendurado não é ele dizendo que é o único que entende esse seu cansaço, esse stress que doi até na pele? Será que a cruz não precisa ser reaproveitada conceitualmente ao invés de ser usada como um logotipo cafona da fé cristã?

Ele na cruz não é referência ao passado. É a pista de como seria mais fácil dali pra frente. A cruz que eu tô falando não deveria ser interpretada como a escultura pregada nas paredes, porque esculturas juntam pó, mas as nossas questões são todas frescas. As dores e perdas estão todas quentes, a vida está acontecendo nesse exato momento, e se o mundo não respeita isso, você precisa entender que existe um Deus que sabe dar exemplos claros, fáceis e lindos, de que ele sabe esperar e melhor ainda: ele já sentiu a sua dor.

Se a sua dor de hoje precisa de um tempo pra sarar, então ele espera. E se os seus sustos precisam de companhia, então ele não vai ousar descer da cruz, não vai te abandonar. E se o mundo foi bem nojento com você e cuspiu na sua cara e te traiu e te feriu, ele é o único capaz de entender isso plenamente. Ele também foi. Ele também já ficou imóvel diante do medo. Ele já se sentiu preso. Ele já se sentiu imóvel. Mas o segredo de tudo isso, é que ele fez isso porque ele quis. Ele não precisava conhecer a tua dor na profundidade, mas ele quis conhecer. Então quando você precisar de um exemplo ou parâmetro pra sua vida, olhe para a cruz. Não para as esculturas, para a cruz. Não para a coisa carregada, que mete medo, não. A cruz! O significado verdadeiro dela, não é visível, não está nas tatuagens nem nos colarzinhos, nem mesmo nesse texto, porque ela é mais do que isso. Ela é complexa e ao mesmo tempo fácil. Como o amor, como nós.

Agora mesmo, você tá afim de mudança? Deus está esperando. E agora mesmo, apesar de todos os seus erros e toda escuridão e todo mundo voltando pra casa, e apesar de você saber que amanhã a vida ressucita e a alegria volta, mas se hoje você precisar de um Deus ao seu lado, entendendo a sua dor por exeperiência própria e não por discursos religiosos, então olhe para a cruz de novo, demore-se lá até entender que, se for importante para a sua dor, ele vai fica ali, bem parado, sentindo o mesmo que você. Podendo não ficar, mas amando cada segundo que é estar do seu lado. Hoje, Deus não vai a lugar algum. E essa é a verdadeira tradução do que é sentir a presença dele enquanto você chora.

Luciana Elaiuy. (para N.A).

Nos átomos do agora.

Posted by umpontoum On September - 13 - 20113 COMMENTS

Todo mundo quer um nome pra Deus. Eu sei o seu, isso me satisfaz, estou em paz com isso. Não te vejo como a maioria vê, não te sinto como a maioria sente. Não falo isso para que a minha opinião se sobreponha, não falo isso para ser diferente ou pra acharem você mais legal, não. Realmente o tempo de te enxergar melhor, ficou nítido. Vejo você em muitas coisas, e porque vejo em muitas coisas, sei que é você. Se fosse pouco não seria Deus. Seria só imaginação. Se não fosse na realidade complexa da raiva, na discussão, no meu peito aflito, no meu choro só meu, na minha solidão e em todas as minhas mentiras, escravas de uma verdade maior, então aí não seria Deus. Seria essas coisas pequenas que fazemos e que nos distraem. Eu seria mais uma pessoa com olhos dados à mentiras. Eu seria mais uma pessoa sem caminhos de volta. Mas Deus, eu vi você sondando o meu interior junto com os meus pecados inconfessáveis, vi você mais íntimo que sexo, vi você mais vivo que eu. Vi você indiferente às minhas faltas por causa do tamanho do seu amor por mim. Muito maior que o meu amor por você, muito maior que as coisas que tentaram me falar sobre você. Ah.. eles ensinaram tantas coisas erradas sobre você! Todos nós ensinamos tantas coisas erradas sobre Deus! E nós pensamos tantas coisas erradas sobre o que é o amor e a liberdade e a busca e a sede e a água finalmente encontrada. Nós bebemos tão pouco dela! Bebemos aos goles contados, como se a sede fosse miserável e não conhecêssemos a fonte. Entornamos sempre as mesmas questões, sempre o mesmo copo, sempre a água pequena, e já são poucos os que mergulham nus.

Eu perco meu fôlego, muitas vezes não sei se vou respirar dentro de Deus, pareço não caber dentro de sua grandeza estranha, pareço não assimilar que tudo está sim no controle de suas mãos, mas então abro os olhos e estou viva. Essa é a obra de suas mãos. Ainda estou viva e não é hora de pensar no céu do depois. Portanto, Deus, não seja só o meu futuro. Não seja a minha morte, seja minha expectativa e nunca minha aflição, porque teu nome não é esse. Tua luta não foi só aquela. Tua cara não é assim. Deus, não ouso gastar meu coração com essas regras estúpidas. Você desrespeitou a ética da alma, quem sou eu pra botar ordem em mim? Quem sou eu para ser mãe de mim mesma se é de filha que você me chama? Quem sou eu pra construir uma torre e querer te tocar, se o esforço da descida foi todo seu? O declínio, a entrega, a mão aberta e furada, o desapego apaixonado, a paz acima da incompreensão enquanto cuspiam no teu rosto, tudo isso é seu, não é meu. Quem sou eu? Quem sou eu para querer ser mais do que isso que sou este exato momento? Exatamente a pessoa que você amou. Que pretensão a minha querer aumentar um centímetro aos meus dias, meio metro às minhas questões! Eu posso soltar minhas palavra aos olhos e ouvidos de quem quiser ler e ouvir, mas pouco me importa. Amo as pessoas, quero ver você no rosto delas, mas quem faz isso é só você e tudo que eu sei é de teu sopro contínuo. Interminante. Teimosia de vida no meu escuro. Dias que voltam todas as manhãs, noites que vencem o cansaço dos homens, e as ondas incansáveis que se prostram diante da tua presença. A tua presença é uma coisa que preenche até os meus pensamentos. A tua presença está também dentro das conchas miúdas, está atrás da casa, está no verão e na dor de uma mulher que ama muito. Deus, perdoe toda a minha religião. Perdoe a religião dos homens, essa ponte frágil e perigosa dentro de nós, há de cair um dia, porque só prospera de verdade, o que de fato é verdadeiro. Ainda que demore, ainda que tenhamos medo e escorregue. Perdoe. Perdoe os meus erros de nomes trocados. Nada daquilo é errado. Errado é te perder dentro de mim. Pecado é me afastar e perder a curiosidade, achar que tua voz está empoeirada nas prateleiras, nas cafonices, na ignorância. Tua voz está nos trompetes, nos versos que tenho medo de escrever, na minha sinceridade. E quando é assim, sua voz está em mim. Deus, não se afaste, eu não sei tudo. Não sei e não ouso querer saber, porque a tua existência me conforta de tal forma que já sou indiferente aos vencedores desse mundo. Perdedores pra mim. Caçadores de vento. Perdoe isso também. Perdoe tudo, me refaça, me quebre e reconstrua, só não tire a delicadeza que existe entre minha alma e meu espírito. Essa coisa tênue que busca redenção e poesia. Porque já não sei imaginar alguma coisa que substitua a tua visita. Porque tenho o espírito marcado com os beijos de Deus. Porque digo Jesus com assombrosa intimidade, e cada vez que me lembro disso minha alma sorri. Porque não ligo para o que esperam de mim, e não ligo se me interpretarem de um jeito errado. Não era esse o teor das provocações quando você estava de mãos atadas? Quem sou eu pra mudar a ordem das coisas e me esquecer que tua ausência na morte do domingo é exatamente a presença de hoje, nos átomos do agora?

Luciana Elaiuy

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Posted by umpontoum On August - 22 - 20116 COMMENTS

1
Não tem nada de errado. É que chegou a hora de mudar. Fazer alguma coisa. Mudar de planos. Mudar de hábitos, o corte de cabelo, chegou a hora de mudar porque mudar é bom e você aprende sentindo. Chegou outro tempo, entendeu?

Agora diz. Você vai querer levar todas as suas roupas velhas para o novo tempo? Vai usar a mesma cara de sempre? Vai querer a mesma conversa, a mesma reclamação? A mesma conclusão final estraga todo o enredo, e você ainda vai querer contar essa história para os outros? Vai vestir a mesma alma de antes? Quando o novo vem, quem é que não se prepara? Prepare-se. Levante, tome o banho, arrume-se. Ninguém vai fazer isso pra você. Deus não vai fazer isso por você.

2
Não tem nada de errado com Deus e não tem nada de errado com você. Não deixe a religiosidade sussurrar isso no seu ouvido. O que ela quer é que você não mude nunca. Ela é a evolução ao contrário, Deus é a evolução pra frente e avante, leia o livro de Gênesis.

O Deus imutável tem várias formas de agir, falar e existir. Ele é imutável mas pode ser muito mais do que você acha que ele é. Aliás, Deus é o que você conhece ou só o que as pessoas falam pra você? Então ele é imutável, no sentido de ser inabalável e absoluto, mas sabe o que? Ele tem multiforma, porque a graça e o amor verdadeiro não conseguem ser uma coisa só, dura, igual, repetitiva e sem conteúdo. A graça ama demais o mundo e não poderia ter uma língua só. Um gosto só, um jeito único de crer. Então deixe de frescura e absorva isso com maturidade: Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Agora olhe ao redor. Não existe ninguém igual à ninguém! Você não acha que encarar Deus apenas do jeito que você projetou, e não abrir mão dos seus achismos, é um ato meio preconceituoso? Volte ao início de tudo, quando Deus tocou no seu coração naquele culto estranho, naquele louvor desafinado, naquele acampamento esquisito, naquele café maluco com aquele seu amigo maluco… A sensação de ser aceito como você era não foi libertadora? Por que não aceitamos os outros, então? Lembra quando você se apaixonou por Deus? Lembra daquele primeiro amor? Pois é, a volta ao primeiro amor, que a bíblia tanto fala, não é só um exemplo tolo e infeliz. A volta ao primeiro amor envolve as primeiras perguntas, envolve um interesse sincero sobre o que Deus é e como ele age. Por que gastamos tanto tempo não perguntando coisas simples para Deus, e ao invés disso fazemos orações vazias, difíceis e repetitivas? Há tanto para conversar com Deus, que se você descobrisse, falaria com ele em lugares que ninguém acredita.

3
O que nunca vai mudar nele é o coração dele. É o amor que um dia ele criou quanto a sua vida era ainda uma massinha sem forma na barriga da sua mãe, leia Salmos 139. O que não mudou é que Ele continua sendo Deus, você querendo ou não. Leia a sequência dos seus dias. O sol volta, a onda desfaz, você menstrua, você tem sono, tem fome, você se cansa, existe um ciclo, um equilíbrio, um limite, Deus ainda comanda as coisas, mesmo você não se ligando ou se importando.
Com o seu respeito ou não, Deus vai continuar tendo pensamentos a seu respeito. Mas se você não tiver alma pra ouvir, pra perceber, pra se calar no meio da confusão e se retirar, então você vai viver alienado. Deus com os olhos focados em você, e você distraído com a TV, com a vitrine, com as pessoas, com o dinheiro, com aquela sua mágoa de 90 anos atrás.

4
Talvez esteja na hora de cogitar o improvável, não ter medo do que você não planejou e estar aberto, sem preconceitos, para o que Deus quer fazer na sua vida. Só assim vai fazer sentido suas palavras sobre Deus, porque palavras só tem peso quando são vividas. Talvez essa coisa de programar tudo e viver crendo num formato só não faça você tão feliz. Acho que não inspira tanto. Talvez Deus habite na frustração que você tanto teme. Talvez ele esteja te esperando dentro de uma ferida, enquanto você esconde o sol com a peneira, tentando encontrá-lo em louvores bregas e repetitivos. Talvez na ferida more um louvor que ninguém teve coragem de ouvir, compôr, cantar. Deus mora em tudo, inclusive no chão. Então quem sabe você o encontre no joelho ralado, tanto quanto no joelho da oração.

5
O Deus pai é também o Deus amigo, confidente. O Deus esconderijo é também uma espada para sua guerra de segunda feira. O Deus Poderoso e grande é também o rabo do seu cachorro abanando quando você chega. O sorriso do seu filho. Um café bem passado. O Deus de mil leis, histórias, parábolas, revelações, profecias e mistérios é o mesmo Deus fácil, aquele que falou no seu coração com uma sensação que durou 2 segundos e bastou. Aquele feeling, aquela certeza que confirma verdades sem precisar de muito. Deus não é difícil, nós é que somos, mas antes dessa última frase se transformar em frase oca, facilite as coisas pro seu lado e pra Deus, e aceite que se até ele muda a forma de agir, talvez esteja na hora de você mudar a sua forma de viver. Isso não anula o amor, só faz você conhecê-lo melhor. Tá pronto?

Luciana Elaiuy

Auditório.

Posted by umpontoum On July - 16 - 20115 COMMENTS

Então me chamaram para dar uma palestra sobre comunicação, numa universidade, e o auditório estava cheio. Fiquei surpresa, porque era tarde, estava frio, e para um aluno de propaganda (já fui um deles) as conversas de bar parecem ser sempre o melhor aprendizado, ou a melhor opção dos intervalos, certo? Errado. As pessoas estavam todas ali naquela palestra, porque além dela contar presença no diário do professor (rs..), as pessoas também estão em busca de alguma palavra nova. Primeira lição que tive naquela universidade, depois de alguns anos de formada, é que nem toda sede é de bar e nem toda pressa é pra ir embora. As pessoas estão ansiosas não pelas provas, mas pelas aprovações, pelos planos que precisam virar realidade, pelos anos que ainda terão que vencer em aulas, leituras, conteúdos, trabalhos. Estão todos correndo demais, querendo demais, sonhando demais, iludindo demais, frustrados também e de certa forma, cansados demais. Quem não está?

O tema era o “futuro da comunicação” e depois de passar por assuntos como tendência, tecnologia, cultura, comportamento e novas mídias, abri os braços como quem não tem nada a esconder e falei pausadamente, com a boca grudada no microfone: “o futuro da comunicação está na verdade”. Daí todo mundo tirou uma com a minha cara, torceu o nariz e me vaiou, certo? Errado. Ninguém fez isso, porque, mais uma vez, as pessoas estão loucas por uma verdade. Jogar a real e ver os olhos daquela galera fixos em mim já foi uma pequena amostra de que sim, existe busca, existe pergunta, existe dúvida, e isso me deixou empolgada porque alguma outra coisa, além de nós, estava viva dentro daquele auditório. Era a expectativa de alguma coisa nova que seria dita. Claro que isso me deu um frio na barriga, mas quer saber? Não trocaria aquele momento por nada.

O momento seguinte desenrolou-se em exemplos simples sobre como ser verdadeiro com o que está ao seu redor, sendo verdadeiro com você mesmo. Amando sua própria vida e o que você faz com ela, ao invés de se frustrar com os índices, os números, os sistemas, os chefes e as rotinas. Foi bacana, foi gratificante.

Mas por que eu tô escrevendo sobre isso? Cadê aqueles textos profundos do umpontoum, pô?

Bom, tô escrevendo isso porque todo mundo tem pessoas ao redor. E talvez você não tenha um microfone na sua mão, mas tenha alguma coisa que seja a “sua voz”. Um projeto, uma banda, um blog, um perfil no facebook, uma tatuagem, uma camiseta. Presta atenção: tudo que temos, usamos, assinamos, logamos, postamos, curtimos, fotografamos, compramos, visitamos, fala sobre nós, fala sobre você. Essas coisas te revelam, elas são a sua voz, seja num auditório ou não. E chega uma hora em que você precisa ter a noção de que o que você é, comunica e se espalha. Você não precisa desvendar o futuro da comunicação, ter todas as respostas, falar sobre mídias, tendências, tecnologias e outras chatices, mas ainda assim você precisa jogar limpo com as situações que estão ao seu redor e sentir o frio na barriga ao saber que alguns olhos estão fixos em você. Sem pretensão nenhuma. Não tem a ver com reputação vazia ou aparência, tem a ver com causa, sentimento, fé, chamado, escolha. Na verdade, você precisa desejar isso. Tem que ferver no seu coração a possibilidade de ser portador de alguma coisa. Primeiro porque todo mundo nasceu para alguma coisa, nem que seja para sorrir, amar alguém, criar poemas ou filhos, e segundo porque quando você executa isso com verdade, você se torna alguém melhor. Se isso nunca aconteceu com você, considere que talvez essa seja a sua hora. Se você já sentiu isso e desanimou por alguma razão, considere que esse é o momento de voltar pra estrada.

De forma ainda mais prática, estou dizendo que você precisa dar um passo de maturidade e ter uma vida mais consequente em algumas ou em todas as áreas da sua vida. Tenha mais coerência espiritual, cultural, intelectual, emocional, física e sentimental, porque é através dessas coisas que mostramos ao mundo quem nós somos, é através dessas coisas que você descobre quem você é, e quer mais profundo? É através dessas coisas que Deus fala com você e mostra quem Ele é. Como Ele poderia falar com você? O que usaria pra chamar a sua atenção? Pó mágico? Luzes do além? Fenômenos sem pé ou cabeça? Acho que não…! Deus é real como as coisas da vida são reais. Como os medos que você sente, como as preocupações. Deus é coerente. Ele se move através do que você tem aí e usa qualquer coisa, seja boa ou ruim, pra se aproximar de você e marcar a sua vida com verdades maiores do que os perrengues que serviram de ponte para ele chegar mais próximo. Seja falta de grana, falta de amor, falta de tempo, falta de paciência, falta de perspectiva ou de respostas, Ele pode falar com você de inúmeras formas, marcar você com verdades, e essas verdades comunicam coisas que talvez você nem imagine, à pessoas que talvez você ainda nem conheça. É assim que se estabelece alguma coisa com valores superiores. É uma vocação superior. Sabe por que?

Porque as buscas reais não estão nas mesas de bar, não estão nas gozações, não estão nos devaneios repetitivos nem nas discussões religiosas, nem na última novidade de qualquer coisa, nem nas tendências, nem no dinheiro que você pode ganhar e que é muito legal, nem no anseio por uma vida acomodada, como se isso fosse conforto ou paz.

Porque a real busca começa e termina na verdade. E você, como ser humano caminhante pelo mundo, transportado por ônibus, aviões, saudades, sonhos e vontades, precisa se relacionar com a verdade urgentemente, afinal, por onde você passar você vai deixar um conteúdo, um recado, uma marca, mesmo se você não quiser deixar. Então o que você anda fazendo? O que você anda dizendo? O que você anda comunicando? O que você tem sido para as pessoas? Uma seta ou um bálsamo? Um dedo de acusação ou um silêncio de compreensão? Um religioso ou alguém que tem a presença leve e simples de Deus? O mundo precisa mesmo do seu blog, dos seus twitts, do que você canta, do que você multiplica, da sua mágoa? Vale a pena gastar seu talento no que você gasta? Vale a pena gastar seu dinheiro e a gasolina do seu carro pra fazer o que você faz? Vale o desperdício do coração? É um parágrafo difícil de ler e de escrever, eu sei, mas de certa forma isso nos convida a uma excelência e a uma organização mental. Pode até dar aquele frio na barriga, mas é esse o sintoma de quem carrega a verdade e um desejo grande de querer mudar alguma coisa. Essa responsabilidade precisa ser inegociável.

Então seja mais responsável com o que você produz, fala, professa. O mundo já conheceu muitos infiéis, inconsequentes e indecisos. Não é de se admirar que os infelizes e os inconstantes também estejam nessa categoria. Todas as coisas andam querendo mais verdade. A comunicação, o auditório, aqueles alunos, a sua família, o seu namorado, o seu espelho e o próprio Deus. Ou você acha que Ele engole tua reza manjada e a sua aparente oração? Você já não acha complicado demais carregar dores e ainda ter que decorar palavras pra falar com Deus?

Há quase dois mil anos atrás os primeiros cristãos que apareceram na Terra tinham a missão de espalhar uma nova fé, um novo jeito de se relacionar com Deus, um novo sentimento. Eles haviam conhecido Jesus Cristo, caminhado ao lado do próprio, e tinham visto todos aqueles milagres, as ondas agitadas e depois a calmaria, os cegos clamando, os cegos sorrindo, os coxos correndo. Aqueles loucos tinham visto a crucificação e depois visto o túmulo vazio, o Cristo ressurreto. Para eles, ir por todo o mundo para contar essa história não era só uma função ou dever ou uma forma de agradecer pelos anos maravilhosos e sobrenaturais que viveram ao lado do filho de Deus, que também era filho do homem e toda essa piração, não! Era um chamado. Eles haviam vivido, aquilo era a verdade dentro deles. Era um desafio mas não era pesado. Era natural, porque era a verdade.

Não me espanta em nada, quando leio os textos de alguns desses apóstolos e vejo que frequentemente eles se definem por expressões como “cartas vivas do evangelho”, ou então dizem que trazem “no corpo as marcas do evangelho”, ou ainda, que só haviam “encontrado a vida após perdê-la”. Uma parte interessante é que no meio de tantas dificuldades que eles enfrentaram para espalhar a mensagem, como prisões, mortes, açoites, eles comparam a própria existência dizendo “somos um festival para as pessoas”. Eles eram cartas vivas, mesmo quando a verdade não agradava geral. A verdade deles entretia a maldade de muitos, e ainda assim, pela verdade, eles continuaram. Parece um papo de doido mas até que ponto a doidera consegue ter lucidez suficiente para julgar-se tão bem? De fato eles eram um festival, mas de fato, isso não é uma história sobre fingimento. Pessoas morreram, pessoas renasceram, eles sabiam da exposição, mas sabiam também, de alguma coisa mais profunda e maior que isso tudo. É preciso ter uma verdade muito forte para continuar apesar de. Então será que eles eram inconsequentes ou será que nós é que somos muito democráticos, mornos e limitados, inclusive com o que sentimos de verdadeiro?

Você prefere viver perdido ou perder-se para encontrar algo bom pra sua vida? Você prefere ter uma voz, ser uma carta viva, atrair os olhares perdidos para linhas que inspiram e salvam, ou ser uma vida sem destinatário, remetentes ou origem?

Pense nisso: “somos cartas vivas”. É um jeito muito mais lindo de ilustrar o que eu tentei dizer aí em cima. Os dicípulos de Jesus consideravam-se cartas vivas de uma mensagem que era a verdade da vida deles. Tem como ser mais direto ou mais simples? A vida deles era comunicar, comunicar, comunicar! Você é uma carta viva de que? De loucuras, ciúmes e incompreensões? De conteúdos desprezíveis, de posts vãos, conversas vãs, descontroles? O que você anda escrevendo com as suas atitudes, e que marcas você tráz no seu corpo? Você não precisa ser um dos primeiros cristãos do mundo, mas em qual verdade você vai se apegar quando o mundo fizer um festival de você? E o que você vai ter a dizer? Carta em branco? Carta suicída? Carta de reclamações? Carta de divórcio? Carta de permissão e legalidade pra qualquer coisa que chega até você e os seus? Carta de autorização aos erros de sempre? Carta em branco, sem história pra contar ao redor?

O evangelho simples é aquele que salva sua alma, porque a alma é onde mora os sentimentos bons e ruins, que quase sempre são os grandes enganadores da nossa vida. O evangelho simples é uma mensagem tão poderosa que ficou conhecida como “boa nova”. É uma boa notícia para quem tá perdido, sozinho, cansado. É como um jornal, é um veículo. E é óbvio que aqueles apóstolos enchiam a boca pra dizer que era carta vivas. A verdade era viva dentro deles.

Eles tinham mensagem! Antes eram a tentativa de ser alguma coisa, agora eram histórias vividas e sentidas, vistas de perto, e era incrível. Como não comunicar? Como não desejar a estrada? Teus conteúdos são todos descartáveis ou você é descrito por uma verdade que um dia invadiu e mudou a sua vida? Vê, teve um momento em que Jesus disse “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Pra chegar em Deus, passe por mim”. E aí sim, eu entendo coisas reais como seu sangue, sua dor, seu medo e sua entrega, e os braços abertos na frente de um auditório agitado (dessa vez composto por todos os pecadores), dizendo sem microfones “O futuro da comunicação, está na verdade”.

Comunicação com você mesmo, com as pessoas, com o planeta, com o seu cachorro, com o seu Deus.

Luciana Elaiuy

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